Um em cada 5 aprovados no vestibular da UFPR passou pela rede pública de ensino

O início do ano letivo de 2021 da Universidade Federal do Paraná (UFPR), marcado para começar na próxima segunda-feira (20/9), terá muitos calouros que passaram pelo Ensino Fundamental na rede municipal de ensino de Curitiba. Só entre os que ingressaram pelo vestibular, realizado em julho, um em cada cinco novos universitários foram estudantes das escolas municipais da cidade.

Das 4.228 vagas ofertadas no processo seletivo, os egressos de escolas públicas de Curitiba, matriculados em unidades do município ao longo do Ensino Fundamental, conquistaram 823, o equivalente a 19,5% do total.

Eles conquistaram 30% ou mais das vagas em 17 cursos, como Jornalismo (37,5%); Biomedicina (37,5%), Educação Física – Licenciatura (35%); Enfermagem (37,5%); História (34,4%); Química – Licenciatura (45,85) e Turismo (30,8%).

Os calouros egressos do Ensino Fundamental na rede municipal de ensino também foram aprovados em cursos tradicionalmente bastante concorridos. Em Medicina, ficaram com 22 das 153 vagas, em Direito, foram 24 aprovados em 160 vagas ofertadas.

A secretária municipal da Educação, Maria Sílvia Bacila, destaca a relevância desse resultado.

“É motivo de orgulho ver que nossas crianças crescem preparadas para conquistar estes ótimos resultados. A alfabetização nos anos iniciais, proporciona uma base sólida de saberes, que dá suporte à trajetória futura dos estudantes”, disse a secretária.

Maria Sílvia também lembrou que Curitiba construiu uma História de qualidade no ensino da rede municipal, que evolui a cada ano com os investimentos da Prefeitura.

Destaques no Enem

A UFPR também terá calouros que passaram pelas salas de aula  na rede pública curitibana classificados pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu) 2021, que utiliza as notas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) deste ano. Pelo Enem, foram 50 ex-alunos do município classificados em primeiros lugares nos cursos da Universidade mais antiga do Brasil.

A rede municipal tem 230 Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs), 185 escolas, 33 Faróis do Saber e Inovação com impressoras 3D, entre outros equipamentos, e atende crianças de zero a cinco anos e estudantes do Ensino Fundamental, do 1º ao 9º ano, sendo a maior parte do 1º ao 5º ano (Fase I).

Ideb

Referência no ensino público municipal, Curitiba teve, em 2020, novo crescimento no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), principal indicador da qualidade da educação no país.

O Ideb das escolas municipais para os anos iniciais do ensino fundamental (1º ao 5º) passou de 6,4 para 6,5. A cidade também atingiu a meta estabelecida pelo Ministério de Educação (MEC) de 6,5.

Os dados são referentes ao ano de 2019 e foram divulgados em setembro de 2020 pelo Ministério da Educação.
Com este desempenho, Curitiba continua com o melhor ensino público do país entre as capitais com mais de 1 milhão de habitantes.

Os resultados do Ideb são importantes para que as escolas possam analisar e qualificar os dados coletados pelo Inep e assim planejar e aplicar novas estratégias e ações.

Com a análise dos dados é possível, por exemplo, constatar onde estão os avanços ou a dificuldade dos estudantes e, a partir daí, reformular ou potencializar a formação dos professores na área.

Em Curitiba, também são utilizados os dados coletados por meio da Prova Curitiba, instrumento próprio da Secretaria Municipal da Educação para balizar as políticas educacionais.

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Morre Elza Soares, aos 91 anos

Elza Soares morreu hoje, aos 91 anos, de causas naturais. A informação foi anunciada por meio do perfil oficial do Instagram da cantora. “A amada e eterna Elza descansou, mas estará para sempre na história da música e em nossos corações e dos milhares fãs por todo mundo”, diz o texto assinado por Pedro Loureiro, Vanessa Soares, familiares e a equipe da cantora.

“É com muita tristeza e pesar que informamos o falecimento da cantora e compositora Elza Soares, aos 91 anos, às 15h45 em sua casa, no Rio de Janeiro, por causas naturais. Ícone da música brasileira, considerada uma das maiores artistas do mundo, a cantora eleita como a Voz do Milênio teve uma vida apoteótica, intensa, que emocionou o mundo com sua voz, sua força e sua determinação. A amada e eterna Elza descansou, mas estará para sempre na história da música e em nossos corações e dos milhares fãs por todo mundo. Feita a vontade de Elza Soares, ela cantou até o fim”, diz a postagem.

 

Foto: reprodução

 

A força dos consórcios municipais

Perder tempo em aprender coisas que não interessam priva-nos de descobrir coisas interessantes. – Carlos Drummond de Andrade

As pessoas vivem nas cidades e é ali que o poder público deve concentrar o investimento necessário para assegurar a contínua melhoria da qualidade de vida da população. Sabemos bem dos desafios enfrentados pelas prefeituras para dar conta das demandas locais. Há muitos deveres e cada vez menos recursos.

Hoje, a maior parte dos tributos arrecadados ficam concentrados nos cofres da União e, como todos sabemos, Brasília parece cada dia mais distante do Brasil. É prioridade inverter essa lógica de abastecer o caixa federal e de ver minguar as receitas dos Municípios se quisermos reduzir as amarras que dificultam o funcionamento da máquina pública. A descentralização de recursos deveria estar no topo da pauta do pacto federativo.

Temos que rediscutir a distribuição de impostos e contribuições para encontrar soluções que valorizem o protagonismo dos municípios. É necessário aumentar o repasse dos recursos que hoje se perdem no limbo da burocracia federal ou escorrem pelos ralos dos desvios. É hora de fortalecer o municipalismo e não podemos mais adiar este debate.

Trata-se de uma discussão urgente, mas enquanto ela não acontece, temos que olhar para outros mecanismos que podem contribuir com o desenvolvimento local e regional, sem que se acumule mais peso sobre as costas das gestões municipais. Um dos mecanismos disponíveis é a formação dos consórcios intermunicipais para múltiplas funções.

Uma pesquisa feita pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM) mapeou 601 consórcios públicos no Brasil. Dos 5.570 municípios brasileiros, 4.723 (84,8%) participam de pelo menos uma associação. O índice no Paraná é de 100%. Ou seja, os 399 municípios estão vinculados a algum dos consórcios intermunicipais identificados no Estado.

A pesquisa nacional informa que 87% dos municípios participantes são de pequeno porte, com até 50 mil habitantes. Do total de consórcios existentes no País, 328 se dedicam a apenas um tipo de atividade, enquanto outros 269 têm múltiplas funções. Daqueles com apenas uma finalidade, 205 foram formados para atuação na área de saúde. Outras áreas que se destacam são as de resíduos sólidos (41 consórcios), infraestrutura (20), meio ambiente (15) e assistência social (9).

A Constituição Federal já autorizava que todas as instâncias de governo poderiam se unir para promover a gestão associada de serviços públicos. Este instrumento ganhou maior atenção e adesão a partir da publicação da lei 11.107/05 e do decreto 6.017/07, que regulamentou o funcionamento dos consórcios públicos. Desde o ano 2000 surgiram cerca de 450 novas organizações no País.

Essa evolução revela a importância que os consórcios alcançaram para melhorar o atendimento em serviços públicos, concretizar estratégias de promoção do desenvolvimento regional, e alavancar objetivos que são comuns aos municípios envolvidos. A cooperação, somada a integração e a economia de esforços e recursos, transformaram estas organizações em uma ferramenta essencial para o progresso coletivo.

A atuação cooperativa ajuda a vencer dificuldades na execução de políticas públicas, sobretudo no âmbito microrregional. Não é novidade que muitas das boas iniciativas que são propostas por gestores municipais têm a execução prejudicada pelas dificuldades financeiras ou por questões estruturais das prefeituras.

Em razão das possibilidades que o consórcio abre para os nossos municípios, sou totalmente favorável ao fortalecimento deste instrumento, com todo o controle e rigor que a lei exige. Sou um entusiasta do municipalismo e considero primordial que os prefeitos tenham todas as condições possíveis para fazer mais e melhor. É preciso entregar à população aquilo que ela necessita. Não podemos esquecer que a política só tem sentido se for para melhorar a vida das pessoas.

Luiz Claudio Romanelli, advogado e especialista em gestão urbana, é deputado estadual e vice-presidente do PSB do Paraná