Cotado para campanha de Bolsonaro, Steve Bannon diz que eleição no Brasil pode ser “roubada”

De acordo com a revista New Republic, o ex-gerente de campanha de Trump, Steve Bannon, está planejando um retorno político no Brasil. Na semana passada em um “cyber simpósio” organizado nos EUA, Bannon esteve com o deputado federal Eduardo Bolsonaro, filho do presidente Bolsonaro.

O simpósio em questão foi dedicado à ideia infundada de que a eleição presidencial de 2020 nos Estados Unidos foi de alguma forma roubada de Donald Trump. O presidente Bolsonaro vêm atacando o sistema eleitoral brasileiro e, portanto, as estratégias soam familiares.

Bannon, que no ano passado foi indiciado por fraude e lavagem de dinheiro, alertou no evento conspiratório que uma eleição diferente pode estar em risco: a reeleição do presidente Jair Bolsonaro do Brasil.

Eduardo Bolsonaro estava lá para traçar paralelos entre o sistema eleitoral de seu Brasil e o dos Estados Unidos – uma comparação sem sentido, já que o Brasil tem um sistema de votação eletrônica reconhecido mundialmente, votação obrigatória e nenhum caso crível de fraude em 25 anos. Apesar de ganhar uma vitória retumbante em 2018, o presidente Bolsonaro tomou abertamente questionando se o Brasil pode realizar uma eleição livre e justa no ano que vem, e se engajou em um esforço quixotesco para mudar a forma como os brasileiros votam. Ele até levantou a perspectiva de uma intervenção militar para supostamente garantir a integridade do voto, desfilando tanques e tropas em Brasília no dia 10 de agosto. Para todos, exceto para seus partidários mais fervorosos, as reais intenções do presidente são óbvias. Ele está se preparando para rejeitar um resultado futuro desfavorável semeando dúvidas agora.

Depois que Eduardo se dirigiu ao público, Bannon subiu ao palco e chamou a corrida presidencial do próximo ano no Brasil a “segunda eleição mais importante do mundo”, alegremente afirmando que “Bolsonaro vencerá a menos que seja roubado, adivinhe, pelas máquinas”. Na realidade, todas as grandes pesquisas durante meses previram que Bolsonaro perderá feio para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, chefe do Partido dos Trabalhadores, de centro-esquerda, e a voz mais proeminente da oposição. Os brasileiros, não “máquinas”, parecem ter a intenção de derrubar o Bolsonaro. Mas Bannon considerou Lula “um criminoso”, chamando-o de “o esquerdista mais perigoso do mundo”.

Bannon estava ecoando a retórica hiperbólica que os conservadores brasileiros há muito usam para descrever Lula, um ex-líder sindical que se tornou o primeiro presidente da classe trabalhadora na história do Brasil após sua eleição em 2002. Mesmo antes da eleição de Bolsonaro, a política de centro-direita no Brasil estava se tornando definido pela noção perigosamente equivocada de que Lula e seu partido não eram simplesmente oponentes democráticos a serem derrotados nas urnas, mas conspiradores criminosos a serem extirpados por todos os meios necessários.

A aparição de Eduardo Bolsonaro no evento de Lindell parece ser o próximo passo nessa estratégia. Bolsonaro agora está tentando ligar os eventos no Brasil à rede mais ampla de delírios fantásticos, ressentimentos e ultrajes que alimentam a base de Trump e, por extensão, grande parte do Partido Republicano. Bolsonaro – aparentemente com Bannon do seu lado – quer fazer do Brasil o próximo campo de batalha do MAGA.

Esta não é a primeira vez que Bannon tenta levar seu show para a estrada. Três anos atrás, Bannon visitou vários países na Europa e além na tentativa de costurar uma rede transnacional de nacionalistas de direita que pudessem, em conjunto, resistir ao que ele considera as marés nocivas da globalização. Como Ian Buruma escreveu para o Project Syndicate na época, “Bannon vê esse esforço como parte de uma ‘guerra’ entre o populismo e o ‘partido de Davos’, entre as ‘pessoas reais’ brancas, cristãs e patrióticas (nas palavras de seu Apoiador britânico, Nigel Farage) e as elites globalistas cosmopolitas. ” Um Bannon orgulhoso proclamou que “estamos abertos para negócios … Somos uma ONG populista e nacionalista e somos globais”.

Apesar de seus encontros com o francês Marine Le Pen, o vice-primeiro-ministro italiano Matteo Salvini e o autoritário primeiro-ministro húngaro (e o novo ídolo de Tucker Carlson ) Viktor Orbán, o chamado Movimento de Bannon teve pouco impacto perceptível na política europeia. Isso ocorre porque, apesar da aura de visão penetrante que ele cultivou como Svengali de Trump, Bannon na verdade não sabe muito sobre como o mundo funciona.

“Durante a turnê, as diatribes de Bannon tendem a se concentrar em Trump, sua milagrosa vitória eleitoral e a visão do presidente de derrubar a ‘elite liberal global’”, observou o jornalista Tim Gosling em Praga no Foreign Policy em 2018. Bannon prospera ao servir os restos do choque chocante de Trump, mas nunca conseguiu propor novas receitas que possam ser testadas em outro lugar. “Ele aperta todos os botões certos: gastos com defesa, desequilíbrios comerciais e Hillary tortuosa. Mas Bannon faz isso a partir de uma perspectiva limitada de Washington ”, escreveu Gosling. As incursões estrangeiras de Bannon foram exercícios de criação de mitos em benefício próprio, grãos para um grift contínuo. Só agora, com o Bolsonaro, Bannon encontrou um movimento estrangeiro de extrema direita totalmente interessado nesta abordagem centrada em Washington. Os filhos e apoiadores de Bolsonaro estão entusiasmados com o apoio de Bannon de uma forma que os conservadores europeus nunca ficaram.

Os brasileiros de fora da extrema direita, no entanto, ficaram imediatamente preocupados com a aliança Bolsonaro-Bannon exibida no evento de Lindell. Escrevendo para o The Intercept Brasil no último domingo, o jornalista João Filho disse que o envolvimento de Bannon deve ser visto como um sinal seguro de que a eleição de 2022 será contestada. “Mesmo que o Bolsonaro não seja reeleito”, lamentou, “o bolonarismo permanecerá vivo. E continuarão a usar o know-how de Bannon e a investir em conspirações contra a democracia ”. Thomas Traumann, um observador político bem relacionado e altamente respeitado que escreve para a revista semanal Veja , descreveuBannon como o elo entre a “versão tropical do trumpismo” de Bolsonaro e a atual paranóia insurrecional que se apoderou dos verdadeiros crentes de Trump. Ciro Gomes, ex-governador, ministro do gabinete e parlamentar que buscará a presidência brasileira pela quarta vez no ano que vem, critica a conexão Bannon-Bolsonaro desde 2018, condenando a influência que o ex-assessor de Trump exerceu sobre o presidente brasileiro. A capacidade de Bannon de moldar resultados políticos em todo o mundo pode ser exagerada, mas seu envolvimento provavelmente chamará a atenção dos ultraconservadores americanos para uma eleição que, de outra forma, eles poderiam ter negligenciado.

Bannon apoiou Jair Bolsonaro na eleição de 2018 no Brasil e se reuniu com Eduardo naquele ano também. Após a conversa, Eduardo anunciou sua intenção e a de Bannon de “unir forças, especialmente contra o marxismo cultural”. No ano passado, Bolsonaro e seus filhos torceram abertamente para que Trump ganhasse a reeleição, sentindo que uma vitória de Biden isolaria e restringiria o governo brasileiro por seu manejo descuidado do desmatamento amazônico, entre outras questões que levantaram alarme internacional. Não está claro, no entanto, se Bannon acompanhou a administração de Bolsonaro de maneira particular.

Até agora, o apoio constante do presidente brasileiro a Trump não teve muita reciprocidade pública de Trump ou de seus apoiadores. Bolsonaro estagnou por mais de um mês antes de reconhecer a vitória de Biden. Sem tato, ele repetiu alegadamente falsas alegações sobre fraude na eleição de 2020 nos EUA em uma reunião este mês com o conselheiro de segurança nacional de Biden. E enquanto estava nos Estados Unidos para o simpósio de Lindell, Eduardo se encontrou com Trump e o convidou para visitar o Brasil. O endosso de Bannon à afirmação do Bolsonaro de que a eleição será roubada representa o tipo de validação mundial do MAGA que a extrema direita no Brasil, servilmente sintonizada com a direita americana em busca de inspiração, anseia.

Apesar de suas tensões bem documentadas, Bannon continua intimamente associado a Trump, sempre recebendo pelo menos crédito parcial pela vitória surpresa em 2016. Como resultado, o clã Bolsonaro continua atraído por ele. À medida que Bannon sinaliza sua disposição de participar das eleições brasileiras de 2022, sua relação com os Bolsonaros pode se tornar mais clara. Não é incomum que estrategistas políticos dos EUA levem seus serviços para o exterior, é claro. É improvável que Bannon pudesse guiar Bolsonaro à vitória – mas a vitória legítima provavelmente não é o ponto. A principal busca de Bannon é a queixa, a vitória apenas um feliz acidente. Os Bolsonaros estão oferecendo a Bannon a chance de ser um jogador nas eleições de alto risco em uma grande democracia, de ser bajulado por partidários irrefletidos e, é claro, de manter o grift vivo.

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Com alta de 10% até novembro, indústria paranaense foi a quarta que mais cresceu em 2021

A indústria paranaense está entre as que mais cresceram no País no período de retomada econômica da vacinação contra a Covid-19, com avanço de 10% entre janeiro e novembro do ano passado, na comparação com o mesmo período de 2020. O Estado ocupa a quarta posição entre as 15 localidades avaliadas pela Pesquisa Industrial Mensal, divulgada nesta sexta-feira (14) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. A média nacional de crescimento no período foi de 4,7%, com resultados positivos em nove locais.

No acumulado de 12 meses, entre dezembro de 2020 e novembro de 2021, o Paraná tem também o quarto melhor resultado do Brasil na produção industrial, com avanço de 10,6% ante os 12 meses anteriores. Os mesmos estados lideram nos dois recortes, com o Paraná atrás apenas de Santa Catarina, que teve alta de 12,4% até novembro e de 12,8% em 12 meses; do Rio Grande do Sul (11,2% e 11,8%, respectivamente); e Minas Gerais (10,9% e 11,4%).

“Os resultados do IBGE mostram mais uma vez a força da indústria paranaense, que supera todos desafios do último ano”, afirma o governador Carlos Massa Ratinho Junior. “Com todos os anúncios que tivemos no ano passado de novos empreendimentos se instalando no Paraná, não tenho dúvidas que a produção de 2021 foi um marco. Também indica boa expectativa para 2022”.

Os números se mantiveram em alta mesmo com uma pequena redução na produção paranaense em novembro, que de 0,7% com relação ao mês anterior e de 1,9% na comparação com novembro de 2020.

A queda no final do ano foi observada em oito dos 15 locais pesquisados pelo IBGE, com variação negativa da indústria nacional de 0,2% com relação a outubro, e está ligada aos efeitos da pandemia mundial, que provocou o desabastecimento de alguns insumos, encareceu o custo da produção, além dos juros em alta e da demanda em baixa, impactada pela inflação.

SETORES – No acumulado de 2021, o destaque foi para a fabricação de máquinas e equipamentos, que avançou 54,6% ante os 11 primeiros meses do ano anterior. Boa recuperação também na indústria automotiva, que cresceu 30,4% no período, e na fabricação de produtos de madeira, que subiu 26%.

Na sequência, tiveram variação positiva os setores de fabricação de produtos de metal, exceto máquinas e equipamentos (19,6%); produtos minerais não metálicos (14,1%); outros produtos químicos (8,6%); máquinas, aparelhos e materiais elétricos (6,7%); bebidas (5,3%); produtos de borracha e de material plástico (3,9%); móveis (1,2%) e fabricação de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (0,7%). Apenas dois setores apresentaram variações negativas no período: fabricação de produtos alimentícios (-5,5%); e celulose, papel e produtos de papel (-1,7%).

No acumulado de 12 meses, destaque para as indústrias de fabricação de máquinas e equipamentos (56,5%); de veículos automotores, reboques e carrocerias (29,4%); produtos de madeira (25,9%); de metal, exceto máquinas e equipamentos (22,9%); produtos minerais não metálicos (15,9%); máquinas, aparelhos e materiais elétricos (9,1%); outros produtos químicos (7,5%); produtos de borracha e de material plástico (5,2%); bebidas (4,7%); móveis (2,6%) e fabricação de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (1,5%). Novamente, apenas a fabricação de produtos alimentícios (-4,6%) e de celulose, papel e produtos de papel (-1,9%) tiveram resultado negativo.

NACIONAL –  A indústria nacional acumulou, nos 11 meses de 2021, alta de 4,7% frente ao mesmo período do ano anterior, mas ainda está distante do patamar pré-pandemia. A produção brasileira caiu 0,2% na passagem de outubro para novembro de 2021. (AEN)

Foto: José Fernando Ogura

Estado investirá R$ 67,3 milhões para construir e ampliar escolas em fevereiro

O Governo do Paraná realizará seis licitações em fevereiro para a construção de duas novas unidades escolares, duas ampliações de salas da aula e outras duas para retomada de obras paralisadas. O investimento inicial é de mais de R$ 67,3 milhões para oferecer espaços adequados para os estudantes da rede estadual de ensino.

“Essas próximas licitações, que acontecem em fevereiro, traduzem o constante esforço realizado para oferecermos a melhoria necessária na infraestrutura educacional que a sociedade paranaense merece”, ressaltou o diretor-presidente do Instituo Paranaense de Desenvolvimento Educacional – Fundepar, Marcelo Pimentel Bueno.

Uma das novas unidades é do Colégio Agrícola Estadual de Vila Progresso, em Goioerê, no Noroeste do Estado. Com uma área de 7.829,36 metros quadrados, o investimento é destinado para a construção do bloco administrativo, biblioteca, três laboratórios de informática, dois laboratórios de ciências, 20 salas de aula, banheiros, blocos para agroindústrias (vegetais, carnes, leite), refeitório, alojamentos, lavanderia, ginásio de esportes, passarela coberta, pátio descoberto e casa do zelador.

A outra será em Sengés, no Norte Pioneiro, que abrigará a nova sede da Escola Estadual Professor UNV Lauro Sangreman de Oliveira. Serão oito salas de aula, área administrativa, laboratório de informática, biblioteca, laboratório de ciências, sala de múltiplo uso, refeitório, cozinha e áreas de apoio, sanitários, depósitos, sala ambiente, quadra coberta e casa do permissionário em mais de 2,4 mil metros quadrados construídos.

A obra será licitada por Regime Diferenciado de Contratação (RDC). “A empresa vencedora da licitação ficará responsável pela elaboração dos projetos executivos e pela aprovação nos órgãos competentes, além da responsabilidade pela execução da obra. Isso faz com que o processo se torne mais ágil e ainda traga maior economia de tempo e de recursos públicos”, explicou o gerente de Engenharia e Projetos da Fundepar, Célio Watter.

AMPLIAÇÕES – O Colégio Estadual Nilo Peçanha, em Jaguariaíva, nos Campos Gerais, terá seis novas salas de aula e passarela coberta para ligação ao bloco já existente, num total de 430 metros quadrados de área construída. Também foram projetadas rampas externas para acesso ao colégio, e entre os blocos até a quadra esportiva.

No Colégio Estadual Quatro Pontes, em Quatro Pontes, no Oeste do Estado, a ampliação tem uma área aproximada de mil metros quadrados. São duas salas de aula, laboratório de informática, laboratório de ciências, biblioteca, cozinha, áreas de serviço, refeitório coberto, área administrativa, banheiros, cobertura de passarelas, sala ambiente, bem como rampas e piso tátil para garantir acessibilidade ao estabelecimento.

RETOMADAS – As obras do Centro Estadual de Educação Profissional (CEEP) de Londrina, no Norte do Estado, e o de Maringá, no Noroeste, serão retomadas com a realização das licitações de fevereiro. As novas unidades contribuirão com o ensino técnico do Paraná. A retomada é uma determinação do governador Carlos Massa Ratinho Junior em finalizar todas as obras escolares que foram paralisadas em gestões anteriores.

O CEEP de Londrina pode atender até 900 estudantes, em três turnos, com a oferta de cursos técnicos necessários às demandas dos arranjos locais de produção. O projeto terá uma área construída de mais de 6,5 mil metros quadrados dividida em quatro blocos. No total serão 12 salas de aula, área administrativa, cozinha, refeitório, biblioteca, banheiros, ginásio coberto, laboratórios especiais, guarita e passarela.

A obra iniciou em 2013, mas após executar cerca de 19% do previsto em contrato, a empresa responsável abandonou em 2014. Em fevereiro de 2015, as obras foram totalmente paralisadas. Para a retomada, foram necessários a atualização de projetos e a realização de uma nova licitação.

Situação semelhante aconteceu com o CEEP de Maringá. Com uma estrutura de construção semelhante, em 2013 as obras do novo CEEP iniciaram e a empresa responsável também desistiu do serviço após executar cerca de 10% do previsto em contrato, sendo paralisada no segundo semestre de 2014.

Licitações

15/02/2020 – CE Nilo Peçanha, em Jaguariaíva – R$ 2.023.975,49

16/02/2020 – CEEP Maringá – R$ 17.014.439,86

17/02/2020 – CEEP Londrina – R$ 15.995.768,83

21/02/2020 – CAE Vila Progresso, em Goioerê – R$ 20.406.923,62

22/02/2020 – CE Quatro Pontes, em Quatro Pontes – R$ 3.473.066,05

24/02/2020 – EE Professor Lauro Sangreman de Oliveira, em Sengés – R$ 8.408.313,49