Operação Verde Brasil 2 foi eficaz? ‘Fiscalização deveria ser muito maior’, diz especialista

O volume de apreensões da operação revela necessidade de ampliar a atuação de órgãos federais e dos estados para reprimir ações ilícitas, segundo especialista em assuntos militares ouvido pelo blog.

Após quase um ano, o Exército brasileiro anunciou o fim das fiscalizações da Operação Verde Brasil 2, que tinha o objetivo de reduzir crimes ambientais em Roraima.

O balanço indica que foram apreendidos dois helicópteros e 14 aviões de pequeno porte, no período de 11 de maio de 2020 a 30 de abril deste ano, conforme noticiado pelo G1.

​De acordo com o Exército, também foram confiscados 24 veículos, três balsas de garimpo, três embarcações, 18 geradores de energia, 20 motores para garimpo, 37.975 litros de combustíveis, 321 m³ de madeira, sete armamentos e 300 munições de armas de fogo.

Ao todo, foram executadas 1.953 fiscalizações ambientais, em Roraima, pela 1ª Brigada de Infantaria de Selva.

“O Exército Brasileiro, sob a responsabilidade da 1ª Brigada de Infantaria de Selva, atuou em todos os 15 municípios, principalmente naqueles que abrangem a Terra Indígena Yanomami, a Terra Indígena Raposa Serra do Sol, a Floresta Nacional e o sudeste do estado”, informou o Exército.

Ricardo Cabral, professor de Relações Internacionais e especialista em assuntos militares, explica que a Verde Brasil 2 foi uma operação de apoio à Polícia Federal, à Receita Federal e a outros órgãos de fiscalização.

Ele destaca que a Força Aérea e a Marinha também tiveram um papel importante de patrulhamento na região, apreendendo armamentos e drogas.

O comandante da Marinha, almirante de esquadra Almir Garnier Santos; o comandante do Exército, general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira; e o comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro do ar Carlos de Almeida Baptista Jr.

Para além do acolhimento de imigrantes venezuelanos no estado, o especialista afirma que Roraima mereceu uma operação especial devido a “uma série de particularidades”, já que abriga duas grandes reservas ambientais e parte da Floresta Nacional.

“É uma área, onde grande parte do estado está, a princípio, sob controle federal, mas são reservas. E devido às limitações dos órgãos de fiscalização, da Funai [Fundação Nacional do Índio], do Ibama [Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis] e também das Forças Armadas, muitos eventos ilícitos ocorrem nessas regiões. E há necessidade desse tipo de ação periódica. Na minha opinião, que seja feita com mais frequência, para reprimir essas ações ilícitas”, afirmou Cabral em entrevista.

Efetividade contra futuras ações irregulares

Segundo o especialista em Defesa, é improvável que apenas a realização de operações como essa desestimule a ação de grupos criminosos.

Cabral explica que é necessário haver a atuação constante do Estado e dos governos nas regiões mais vulneráveis. Mesmo assim, segundo ele, devido à extensão da Amazônia, é difícil coibir todas as ações ilícitas com a atual capacidade de recursos disponíveis.

“Os meios para patrulha e fiscalização deveriam ser muito maiores. Deveria haver o envolvimento dos estados com muito mais força. Mas, ao que parece, devido à precariedade da infraestrutura dos estados, isso não tem sido efetivo. Então, o apoio dos órgãos federais é fundamental”, disse o professor de Relações Internacionais.

Queimadas na Floresta Amazônica, em Porto Velho (RO)

O especialista detalha que os órgãos federais precisam de mais aviões, barcos, helicópteros, veículos remotamente tripulados e satélites, que possam auxiliar nas operações, além de ações de inteligência.

“Pelo tamanho das apreensões feitas, vemos como agem com impunidade. Um pequeno levantamento teve grandes apreensões. Isso denota, na minha opinião, a pouca presença do Estado na região, não digo ausência, mas pouca presença, pouca efetividade”, afirmou.

O especialista ainda ressaltou a importância da atuação das Forças Armadas não só no controle das fronteiras da Região Norte, mas também no Nordeste, no Centro-Oeste e no Sul.

“As Forças Armadas são uma ação complementar e decisiva para o sucesso dessas operações, que devem ser feitas rotineiramente”, destacou.

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Colômbia espera US$ 1,4 bilhão de investimentos privados do Brasil

O presidente da Colômbia, Iván Duque, disse hoje (19) que espera cerca de US$ 1,4 bilhão de investimentos privados do Brasil no país vizinho, em diversas áreas. Os compromissos foram firmados durante encontro, em São Paulo, como mais de 60 empresários brasileiros. Segundo Duque, o valor pode superar US$ 2,4 bilhões se agregados investimentos em infraestrutura.

“Há uma grande relação comercial e de investimento que queremos seguir fortalecendo”, disse Duque em declaração à imprensa no Palácio do Planalto, em Brasília. O colombiano se reuniu, na manhã desta terça-feira, com o presidente Jair Bolsonaro para tratar de diferentes temas da agenda bilateral entre os dois países.

Durante o encontro foram assinados acordos e memorandos de entendimento nas áreas de serviços aéreos, agricultura, pesquisa e desenvolvimento, meio ambiente e saneamento, segurança e cooperação fronteiriça, comércio e investimentos e serviços de aprendizagem profissional.

A Colômbia é um dos principais parceiros comerciais do Brasil na América Latina, com um intercâmbio bilateral de US$ 3,6 bilhões em 2020. Nos oito primeiros meses de 2021, a corrente de comércio entre os dois países alcançou crescimento de quase 50% em relação ao ano anterior e, de acordo com o Itamaraty, poderá encerrar o ano em patamares superiores aos registrados antes da pandemia.

Amazônia

Tanto Bolsonaro quanto Duque destacaram o interesse comum na preservação da Amazônia e eles querem levar o tema para a 26ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP26), prevista para novembro, em Glasgow, na Escócia.

“A Amazônia, para nós, é território valioso e a cuidamos dentro da nossa soberania. É importante que essa defesa traga consigo uma luta eficaz contra os crimes ambientais”, afirmou Duque.

Para o presidente colombiano, é preciso deixar registrada, durante a COP26, a disposição dos países da região de proteger esse território, destacando a capacidade da floresta em retirar carbono da atmosfera.

“Uma reafirmação que a nossa voz não é somente pela transição energética e redução de emissões [de gases de efeito estufa], mas também de alcançar a neutralidade de carbono com a proteção das florestas tropicais e da Amazônia”, disse o presidente da Colômbia.

Aquecimento global

O Acordo de Paris, que será discutido na conferência em Glasgow, foi firmado durante a COP21, em 2015, na França. No documento, resultado de mais de 20 anos de negociação, as nações definiram objetivos de longo prazo para limitar o aquecimento da temperatura global em níveis abaixo de dois graus Celsius, se possível a 1,5 grau, até o final deste século.

Para isso, cada país definiu suas metas de redução de emissões e de alcançar a neutralidade. A neutralidade de carbono (ou emissões líquidas zero) é atingida quando todas as emissões de gases de efeito estufa que são causadas pelo homem alcançam o equilíbrio com a remoção desses gases da atmosfera, que acontece, por exemplo, restaurando florestas. Isso significa também mudar a matriz energética para fontes sustentáveis que não dependem de queima de combustíveis fósseis, em setores como transporte, geração de energia e na indústria.

Para outras fontes, a cada tonelada de gás carbônico emitida, uma tonelada deve ser compensada com medidas de proteção climática, com o plantio de árvores, por exemplo. Entre os principais temas a serem debatidos na COP26 estão o mercado de carbono e os procedimentos financeiros para alcançar a redução das emissões.

EUA vão aceitar CoronaVac para entrada de visitantes estrangeiros

Os Estados Unidos vão aceitar a entrada de visitantes vacinados com vacinas contra a covid-19 autorizadas pelos órgãos reguladores dos EUA e também aquelas autorizadas para uso emergencial pela Organização Mundial de Saúde (OMS). A informação foi publicada pela agência de notícias Reuters na noite de sexta-feira (8).svg%3Esvg%3E

Segundo a agência, Centro para Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês) disse que seis vacinas aprovadas pela FDA, a agência reguladora norte-americana e listadas para uso emergencial pela OMS atendem aos critérios para que o visitante possa entrar nos EUA.

Atualmente, a lista da entidade inclui, para uso emergencial, os imunizantes CoronaVac, Pfizer/BioNTech, AstraZeneca, Janssen, Moderna e Sinopharm.