Mais de 10 mil vagas de emprego disponíveis no Paraná

As 216 agências do trabalhador e postos avançados no Paraná abrem a semana com a oferta de 10.733 vagas abertas no comércio, serviços e indústria no final de ano. Nas agências de Curitiba e região metropolitana estão sendo ofertadas 2.044 vagas. As principais são para operador de telemarketing, com 335 ofertas, e para auxiliar de linha de produção são outras 216 oportunidades.

Nas agências do interior o destaque é a regional de Toledo, no Oeste, com 1.494 vagas, a maioria para auxiliar de linha de produção – 523. A regional de Cascavel oferece 1.285 empregos – as principais vagas para auxiliar de linha de produção, com 337 oportunidades.

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Pandemia ainda provoca impactos no mercado de trabalho, diz Ipea

A melhora da atividade econômica e o crescimento da população ocupada não foram suficientes para reduzir o impacto provocado pela pandemia da covid-19 no mercado de trabalho, que segue com alta no desemprego, subocupação e desalento. A avaliação faz parte da análise do desempenho recente do mercado de trabalho e perspectivas para 2021 apresentado, hoje (28), pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), em março, o estudo mostra que a taxa de desocupação ficou em 15,1%, o que representa 2,3 pontos percentuais acima do resultado do mesmo período do ano anterior. O crescimento do contingente de desalentados também indica que o mercado de trabalho não se recuperou. Nos últimos 12 meses, o número de pessoas com idade de trabalhar que estavam fora da força de trabalho por conta do desalento avançou de 4,8 milhões para quase 6 milhões, uma alta de 25%.

Desemprego

Segundo a pesquisadora do Grupo de Conjuntura do Ipea e autora do estudo, Maria Andréia Lameiras, os níveis de desemprego ainda estão ruins porque a cada dia que passa, mais gente volta para o mercado de trabalho para procurar emprego, o que não ocorria no período inicial da pandemia.

“Muita gente deixou de procurar emprego por medo de contágio, porque sabia que a situação econômica estava muito ruim e a probabilidade de conseguir um emprego era muito pequena e porque existiu o auxílio emergencial que, bem ou mal, deu segurança ao trabalhador de ficar em casa se protegendo e ter algum meio de subsistência”, informou em entrevista à Agência Brasil.

A movimentação da economia que apresentou sinais de melhora no primeiro trimestre de 2021, o avanço da vacinação e o valor menor do auxílio emergencial, segundo Maria Andréia, estão fazendo as pessoas procurarem mais o mercado de trabalho o que vai continuar impactando o nível de desemprego.

“Todas as pessoas que ficaram desempregadas na pandemia e, também têm chegado para este contingente, as pessoas que estavam inativas e sem procurar emprego. Quando chega ao mercado de trabalho sem uma colocação é considerado um desempregado e, por isso, o contingente de desempregados continua crescendo e vai continua crescendo, porque o movimento de retorno só tende a crescer nos próximos meses”, afirmou.

Informalidade

O estudo indica ainda que a recuperação da ocupação vem ocorrendo de maneira mais intensa entre os empregados sem carteira e os trabalhadores por conta própria, que integram os segmentos informais do mercado de trabalho. O contingente de trabalhadores sem carteira e por conta própria registraram recuos menos expressivos no primeiro trimestre de 2021 com retrações de 12,1% e de 1,3% respectivamente, do que no trimestre móvel encerrado em agosto de 2020, quando os recuos foram de 25,8% e de 11,6%. Para a pesquisadora, a melhora da recuperação da ocupação pelos informais já era esperada.

“Porque primeiro foi o segmento mais afetado pela pandemia que foi o de serviços e de comércio. Segundo porque a gente já tinha visto que a pandemia causou menos estrago no setor formal. O emprego com carteira acabou sendo um pouco mais preservado durante a pandemia, porque é o trabalho com melhor qualificação, o trabalhador consegue fazer home office, então, foi de fato mais preservado. O informal foi mais atingido e é compreensível que, na retomada, acabe liderando”, comentou.

A pesquisadora destacou que, embora apresentasse sinais de recuperação no período de pré-pandemia, a situação do mercado de trabalho não era excepcional.

“Vem a pandemia e piora ainda mais, sendo que a gente já estava partindo de um ponto que não era excepcionalmente bom. Só que, quando a gente olha a foto do último trimestre, há indícios de melhora, porque a gente está vendo que a ocupação que caiu fortemente no segundo semestre, ela já começa a melhorar, claro que quando compara com o número de ocupados de um ano atrás a gente ainda está com taxa de negativa, mas quando olha a margem essa taxa negativa está cada vez menor”, disse.

Mais atingidos

A análise mostrou ainda que, no primeiro trimestre de 2021, se comparado ao mesmo período de 2020, a taxa de desocupação foi maior para as mulheres (17,9%) do que para os homens (12,2%). Além disso, os mais jovens seguem como os mais prejudicados, com taxa de desocupação de 31%; enquanto o desemprego dos mais idosos é menor (5,7%). Na escolaridade, os trabalhadores com ensino médio incompleto e completo foram os mais impactados pela pandemia na relação com as taxas de desocupação, que avançaram de 20,4% e 14,4% para 24,4% e 17,2%, de 2020 para 2021, respectivamente. Já os trabalhadores com menor taxa de desemprego, no período, foram os que possuem ensino superior (10,4%).

Nas regiões, a alta do desemprego foi generalizada. Com exceção de Roraima e do Amapá, todas as unidades da federação registraram aumento da desocupação este ano. As maiores taxas ficaram com Pernambuco (21,3%), Bahia (21,3%), Sergipe (20,9%), Alagoas (20%) e Rio de Janeiro (19,4%).

Perspectivas

O cenário é favorável para 2021, de acordo com a economista Maria Andreia Lameiras. “Para os próximos meses, a expectativa é que o movimento de recomposição da força de trabalho se intensifique. O avanço da vacinação combinado à retomada mais forte da atividade econômica deve ampliar a geração de empregos”, destacou.

A expansão da ocupação, entretanto, não será suficientemente forte para reduzir a taxa de desemprego no período devido ao esperado aumento da força de trabalho (com mais pessoas procurando emprego).

Pré-pandemia

A pesquisadora acredita que, mantido o cenário atual, o mercado de trabalho poderá voltar ao nível pré-pandemia no primeiro trimestre de 2022.

“No primeiro trimestre de 2022, acho que a gente volta para o nível pré-pandemia. Mantido o cenário atual. A gente está imaginando que não vai ter nenhuma grande variante [de covid-19], nenhum distúrbio político no país. A gente está imaginando com as informações que tem hoje de uma economia que está ganhando força. Tudo leva a crer que a gente vai ter a ocupação aumentando no segundo semestre e no primeiro trimestre do ano que vem, de maneira que a gente deve pensar o primeiro trimestre de 2022 próximo do patamar que a gente tinha”, completou.

Contratação de aprendizes cresce 47% em 2021, mas cota legal ainda está longe de ser preenchida

O primeiro trimestre do ano, foram criados 43.574 postos de trabalho para aprendizes no Brasil. Apesar disso, menos da metade das cotas são preenchidas

Dados do CAGED, do Ministério da Economia, mostram que entre janeiro e março deste ano foram criados 43.574 postos de trabalho para aprendizes no Brasil, crescimento de 47% em relação ao mesmo período do ano passado

A evolução se dá depois de uma queda brusca observada ao longo de todo o ano de 2020, quando foram encerrados 86.895 empregos na modalidade.

Assim como no Brasil, no Paraná também houve acréscimo: o saldo é de 2.421 novos empregos. Apenas em Curitiba, capital do Estado, foram 416.

De acordo com a coordenadora da GERAR nas regiões de Blumenau e da Grande Florianópolis, em Santa Catarina, Suzane Imbrunisio, o ano passado foi um período de superação de desafios e adaptações às rápidas mudanças que aconteceram na economia, devido à pandemia. A atuação da entidade teve bastantes atendimentos e orientações. Mas ela afirma que em 2021 a realidade já é outra e se iniciou com muitas empresas parceiras voltando a contratar aprendizes. “Além disso, estamos com novas parceiras, está sendo uma retomada lenta, mas crescente”.

Mas apesar da recuperação, outro dado, da Secretaria de Inspeção do Trabalho, do Ministério da Economia, mostra que mais da metade da cota destinada a aprendizes não é preenchida.

No Paraná, das 58.244 vagas reservadas a jovens aprendizes, apenas 23.698 foram preenchidas, o equivalente a 41%.

Um dos motivos para o baixo preenchimento de vagas, conforme o presidente da GERAR, Francisco Essert, é a falta de informações sobre a lei. “Algumas empresas desconhecem. Já outras, esperam ser fiscalizadas para passar a cumprir. E há ainda aquelas que estão com dificuldades financeiras por causa da pandemia. Mas apesar disso tudo, seguimos colocando muitos aprendizes no mercado”.

Por lei, toda empresa que tem mais de 7 funcionários é obrigada a ter aprendiz – jovens entre 14 e 24 anos que precisam estar vinculados a uma instituição formadora. “Se todas as empresas cumprissem essa lei, teríamos mais de 1 milhão de adolescentes e jovens na aprendizagem”.

Jovens

Gabriel Kinap Stoco, 17 é um dos jovens que conseguiu oportunidade através do programa neste ano. Ele fez o programa de formação na GERAR já comemora o primeiro registro em carteira. Gabriel conseguiu o primeiro emprego numa empresa de metais sanitários e afirma que o salário será bem-vindo e ajudará a família. “Profissionalmente, é muito bom. E também vai ajudar bastante em casa”.

Abril também foi um mês de vitória para Amanda Luiz Marcon, 20 anos. O primeiro emprego com carteira assinada, enfim, chegou. Ela conseguiu uma colocação como aprendiz em uma empresa de água mineral, em Campo Largo-PR, cidade na qual reside.

Amanda estuda 4 horas por dia na plataforma disponibilizada pela entidade em que estuda, rotina que será cumprida até concluir a formação e ingressar na empresa. Mesmo depois disso, ela ainda terá acompanhamento uma vez por semana na instituição.

A jovem, que também é universitária, destaca que o programa Aprendiz Legal é uma excelente oportunidade para introduzir o jovem no mercado de trabalho. Mas, mais que isso, é uma formação humana. “Às vezes, não nos expressamos direito ou não temos local de fala. Recebemos formação sobre o comportamento dentro da empresa, postura, relacionamento interpessoal, direitos e deveres”.

Empresa

Para as empresas, contar com um jovem aprendiz é uma vantagem que vai além da obrigação legal. É o que confirma a gestora administrativa da filial de uma rede de departamentos, Priscila Jankovic Walderramos.

A filial possui 2 aprendizes em seu quadro, cumprindo a cota legal. A gerente salienta que o programa de aprendizagem é uma forma de o jovem se desenvolver como ser humano, além de crescer profissionalmente.

“A loja ganha, sim, com o programa aprendiz, pois quando o jovem inicia eles estão super empolgados com o primeiro emprego. Os jovens da geração Z, pela facilidade que já tem com tecnologia e a rapidez com que eles absorvem informação, contribuem para o ambiente de trabalho, tanto com ideias quanto com o seu talento. E a empresa tem a grande responsabilidade em capacitar corretamente esse jovem. Caso esse jovem seja efetivado, a empresa já irá contar com um funcionário treinado”.

Por Guilherme Bittar
Foto Divulgação