Lucro sem concorrência

Lucro sem concorrência

Notória, concentração é a mazela mais difícil de enfrentar do setor bancário

Editorial, Folha de S. Paulo

Em 2017, o lucro dos bancos Itaú, Bradesco, Santander e Banco do Brasil atingiu R$ 64,9 bilhões, alta de 21% em relação ao ano anterior – Fernando Frazão – 24.jul.2012/Folhapress

Entre os muitos fenômenos peculiares da economia brasileira, um dos que mais chamam a atenção é a lucratividade dos bancos, sempre bem acima das observadas em outras atividades e nas comparações internacionais.

Em contraste com o que costuma acontecer no restante do mundo, aliás, aqui parece fazer pouca diferença se há prosperidade ou recessão. Nos dois casos, as instituições financeiras têm apresentado bom desempenho.

Em 2017, os resultados de quatro grandes bancos —Banco do Brasil, Itaú, Bradesco e Santander, que concentram 60,3% dos ativos do sistema— bateram novos recordes. O lucro conjunto atingiu R$ 64,9 bilhões, em alta de 21% sobre o ano anterior, com o impulso da menor inadimplência.

A queda de 13,75% para 7% ao ano da taxa Selic, do Banco Central, ajudou a reduzir os juros das operações de crédito bancário. Estes, porém, mantêm-se em patamares absurdos, de 55% na média.
Muito já se sabe sobre as razões para os ganhos elevados dos bancos e a desproporcionalidade em relação às demais empresas.

A partir dos diagnósticos mais consensuais, há um bom número de propostas para reforçar a concorrência e a democratização do crédito —uma agenda que ainda caminha a passos lentos.

A concentração no setor é uma das mazelas mais notórias, porém também a mais difícil de enfrentar —ela cresce há décadas, à medida que os gigantes absorvem instituições médias e pequenas.

De todo modo, cumpre incentivar a entrada de novos participantes, muitos ancorados em inovações tecnológicas. Ademais, o cadastro positivo garante ao consumidor a plena posse e uso de seu histórico de crédito.

Para a redução das taxas, o foco são melhorias institucionais que reforcem a qualidade das garantias entregues pelos devedores. A adoção da duplicata eletrônica e ajustes na lei da recuperação judicial, por exemplo, tendem a facilitar o acesso de pequenas e médias empresas ao canal bancário.

Por fim, há que reduzir o descabido volume de crédito concedido com taxas tabeladas por lei, como os financiamentos do BNDES. Como uma meia-entrada no cinema, essa aparente bondade implica custos maiores para os demais.

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Moro é fundamental nas eleições, diz Picler

O professor Wilson Picler, chanceler da Uninter, disse neste domingo, 9, que a participação do ex-juiz Sérgio Moro (Podemos) é fundamental para as eleições de 2 de outubro e até lá deve se consolidar como a terceira via na disputa presidencial. “Moro é fundamental nestas eleições. O povo terá a opção de três projetos distintos. Isto fortalece a democracia e enriquece o debate, além de elucidar as dúvidas remanescentes. No Paraná, Moro ficará um pouco mais forte, com possibilidades de estar à frente de Bolsonaro”, prevê Picler.

O nome de Picler foi destaque na imprensa nacional depois que a coluna radar da revista Veja desta semana aponta-lo como apoiador de Moro no Paraná. A coluna diz ainda que o empresário paranaense foi o maior doador individual, com R$ 800 mil, da campanha do presidente Jair Bolsonaro (PL) em 2018.

Picler argumenta ainda que a participação de Moro nas eleições vai ajudar “a desmistificar a inocência” do ex-presidente Lula (PT), condenado pelo ex-juiz por corrupção e com decisão revertida a favor do petista no STF (Supremo Tribunal Federal).

Pesquisas – Na avaliação do professor, tanto Moro como Bolsonaro e Moro têm teto de 30% do eleitorado, o que vai embolar a eleição. Uma parcela deste eleitorado vota em Lula, mas não vota mais em Bolsonaro. “A tendência do Moro é só crescer lenta e constantemente”, diz.

“A eleição pode ser definida nos três minutos da prorrogação e até lá Moro vai crescer consideravelmente. No Paraná, Moro ficará um pouco mais forte com possibilidades de estar à frente de Bolsonaro. Nas pesquisas realizadas até agora, Moro tira votos tanto de Bolsonaro como de Lula, ou seja, tira mais do Bolsonaro do que de Lula”, avalia Picler.

Wilson Picler adiantou que o Instituto Dataveritas, em parceria com o IRG (Instituto Ricieri Garbelini) e a Uninter, fará uma pesquisa nacional por mês sobre a intenção de voto para presidente da República. As pesquisas, se divulgadas, precisam ser inscritas no TSE.

(fotos: divulgação)

O que Joaquim Barbosa diz sobre ser vice de Sergio Moro

Por Igor Gadelha, Metrópoles

Procurado por Sergio Moro (Podemos) para discutir o cenário eleitoral de 2022, o ex-ministro do STF Joaquim Barbosa (PSB) avisou a aliados que jamais toparia ser candidato a vice-presidente do ex-juiz.

Segundo pessoas próximas, Barbosa avalia que o desempenho eleitoral de Moro tem um “teto” que impedirá o ex-juiz de chegar ao segundo turno da disputa pelo Palácio do Planalto este ano.

Nesse cenário, o ex-ministro do STF tem avaliado que Moro deveria mesmo era ser candidato ao Senado, disputa na qual Barbosa acredita que o ex-juiz teria mais chances de vitória.

Até agora, Moro alcançou no máximo 11% nas pesquisas de intenção de voto. Na avaliação do ex-ministro do STF, o ex-juiz da Lava Jato já deveria estar com um percentual maior para ser competitivo.