Itaipu e Unesco instalam unidade para proteger Mata Atlântica

UGD une 20 instituições governamentais e não-governamentais na gestão sustentável de um território de quase 900 mil hectares

A Itaipu Binacional e a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) deram início, nesta terça-feira (27), às atividades da primeira Unidade de Gestão Descentralizada (UGD) da Reserva da Biosfera no mundo. A UGD da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica (RBMA Itaipu) soma cerca de 860 mil hectares, compreendendo as áreas protegidas da binacional e matas ciliares de 29 municípios que fazem parte da Bacia Hidrográfica do Rio Paraná Parte 3, limitando-se com o Parque Nacional da Ilha Grande, ao norte, e com o Parque Nacional do Iguaçu, ao sul.

Em cerimônia realizada on-line, o Conselho Nacional da Mata Atlântica certificou a Itaipu como coordenadora da UGD, com mandato de quatro anos. Representando a empresa, o engenheiro florestal Luís César Rodrigues da Silva, da Divisão de Áreas Protegidas, foi empossado como coordenador executivo do Fórum Consultivo de Apoio à UGD, que é composto por 10 membros governamentais e 10 não-governamentais, entre eles ICMBio-Parque Nacional do Iguaçu, Instituto Água e Terra (IAT), Conselho dos Municípios Lindeiros, Associação dos Municípios do Oeste do Paraná (Amop), Parque das Aves, Cataratas S/A, entre outros. Todos os representantes e respectivos suplentes também foram empossados nesta terça-feira.

Para o diretor de Coordenação da Itaipu, general Luiz Felipe Carbonell, a UGD é um importante avanço na gestão ambiental e também um reconhecimento pelos esforços de conservação empreendidos pela empresa. “A criação da UGD reflete uma preocupação com o desenvolvimento sustentável e com as futuras gerações. Os cuidados com a biodiversidade têm relação direta com a segurança hídrica do território, o que beneficia não só a produção de energia pela Itaipu no longo prazo, mas também as demais atividades econômicas da região, como a agropecuária e o turismo”, afirmou.

O presidente do Conselho Nacional da RBMA, Clayton Lino, destacou que a UGD coordenada pela Itaipu reúne os três principais atributos da Reserva da Biosfera, que são a conservação dos ecossistemas, o fomento ao desenvolvimento sustentável e a produção de conhecimento científico. “É um reconhecimento ao trabalho de conservação feito pela Itaipu, que é espetacular”, disse. “Não poderíamos ter parceiro melhor para iniciar esse novo tipo de gestão, um modelo que pretendemos expandir para outros lugares”, acrescentou.

Os municípios que fazem parte da iniciativa estão entre os principais beneficiários, na opinião do superintendente de Gestão Ambiental da Itaipu, Ariel Scheffer da Silva. Um dos compromissos da UGD é desenvolver os Planos Municipais da Mata Atlântica. “A biodiversidade está diretamente ligada aos negócios, à saúde, ao desenvolvimento econômico, entre outros. Então, as prefeituras têm muito a ganhar, pois estarão contribuindo com diversos aspectos para a promoção da sustentabilidade”, avaliou.

Além das autoridades já nomeadas, a cerimônia contou com a participação da diretora da Divisão de Política e Capacitação em Ciência da Unesco, Lídia Brito; do representante da Unesco, Fábio Eon; da coordenadora de Recursos Naturais da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Sustentável e do Turismo do Paraná, Fernanda Góss Braga; do representante da Amop, Vinicius Almeida dos Santos; e da representante do Conselho dos Municípios Lindeiros, Sandra Finkler.

Como funciona

As áreas de Reserva da Biosfera são implementadas por governos e chanceladas pela Unesco. A gestão é exercida com apoio de colegiados de gestores compostos de forma paritárias entre representantes governamentais e não-governamentais. A UGD é uma nova instância no sistema e conta com certa independência para a condução dos trabalhos.

A atuação da UGD está alinhada com a promoção do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 11 (apoiar os vínculos econômicos, sociais e ambientais positivos entre as áreas urbanas, metropolitanas e rurais, fortalecendo o desenvolvimento nacional e regional) e de acordo com as premissas do programa A Humanidade e a Biosfera (antigo O Homem e a Biosfera). Para isso, contará com o apoio das 20 instituições integrantes do Fórum Consultivo.

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Itaipu inicia terceira e última fase na construção de ciclovia

A Itaipu deu início à terceira e última fase das obras para a implantação de uma ciclovia na Avenida Tancredo Neves, entre o viaduto da BR-277 e a barreira de controle da usina, em Foz do Iguaçu (PR). A fase final é a mais extensa e compreende o trecho entre a BR e a ponte do Rio Almada, num total de 3,2 km de extensão.

Para a construção desse trecho, será necessária a retirada de 40 árvores nativas. De acordo com o arquiteto e urbanista Henrique Gazzola de Lima, da Divisão de Planejamento de Infraestrutura da Itaipu, a empresa irá promover uma compensação quase 10 vezes superior ao corte realizado. “Serão plantadas 370 mudas de árvores nativas, sendo a maior parte no próprio trecho da ciclovia, conforme o licenciamento ambiental da obra”, afirmou.

As obras desta terceira fase da ciclovia, que deverão ser finalizadas em 2023, compreendem a implantação da via em piso asfáltico para a circulação das bicicletas, calçada e iluminação, com postes de cerca de 4,5 metros de altura, além de uma nova rede de drenagem. Também será instalada uma travessia elevada para pedestres próximo à entrada da Vila B, facilitando o acesso a pontos de ônibus ali localizados, e conexões entre a ciclovia em construção e as ciclofaixas já instaladas nas avenidas Silvio Américo Sasdelli e Araucária.

No total, a Itaipu está investindo mais de R$ 18 milhões no projeto. A primeira fase, de 1,6 km de extensão, entre a barreira de controle da usina e o cruzamento com a Avenida Tarquínio Joslin dos Santos, recebeu R$ 3 milhões de investimento e foi executada pela construtora Metrosul, entre março de 2018 e agosto de 2019.

A segunda fase, de 2 km de extensão até a ponte do Rio Almada, recebeu R$ 6 milhões e foi executada pela Pisossul Engenharia e Construção, entre junho de 2019 e maio de 2021. Os 3,2 km da fase final custarão 9,1 milhões. A execução, iniciada no último mês de novembro, está a cargo da Sinalpar com prazo estimado em 18 meses. Ao final, as três fases somarão 6,8 km de ciclovias. Foto: Rubens Fraulini/ Itaipu Binacional

Assessoria

Mesmo em ano de seca, energia gerada por Itaipu seria suficiente para suprir 36 milhões de residências

Em 2021, usina produziu 66,3 milhões de MWh, abastecendo 8,4% do mercado brasileiro e 85,6% do paraguaio

Apesar da seca em 2021, a geração anual da hidrelétrica de Itaipu demonstra que a usina segue sendo vital para a segurança energética do Brasil e do Paraguai. No ano que passou, ela gerou 66.369.253 megawatts-hora (MWh), que abasteceram 8,4% do consumo brasileiro de eletricidade e 85,6% do paraguaio.

O total gerado pela usina brasileiro-paraguaia seria suficiente para abastecer cerca de 36 milhões de residências (considerando o consumo médio de uma família brasileira, de 152 kWh/mês) e equivale aproximadamente à produção das duas maiores hidrelétricas totalmente brasileiras somadas: enquanto Tucuruí registrou 33 milhões de MWh, Belo Monte produziu 31 milhões de MWh.

Para o diretor-geral brasileiro da Itaipu, general João Francisco Ferreira, a empresa tem superado o cenário adverso da estiagem com uma produção cada vez mais eficiente, assegurando energia limpa e renovável para os consumidores brasileiros e paraguaios.

“Em um mundo que discute como produzir energia sem emitir gases do efeito estufa, a Itaipu segue sendo vital para posicionar o Brasil e o Paraguai entre os países com as matrizes energéticas mais sustentáveis”, afirmou o diretor, destacando também a estratégia ambiental da empresa, de preservar os ecossistemas para proteger o reservatório e, consequentemente, assegurar a geração de energia no longo prazo.

Produtividade

A baixa afluência do Rio Paraná nos últimos dois anos levou os técnicos da binacional a aprimorarem continuamente a coordenação entre a geração de energia e a necessidade de periodicamente parar cada unidade geradora para a realização de manutenções preventivas, considerando também a quantidade de água que chega ao reservatório e a demanda por eletricidade dos sistemas de ambos os países.

Essa estratégia, que busca tirar o máximo proveito da água para a produção de energia, tem levado a usina a quebrar sucessivos recordes de produtividade. Em 2019, para cada metro cúbico de água que passou por segundo pelas unidades geradoras foi produzido 1,079 MW, até então, a melhor marca da usina. Em 2020, o índice melhorou, chegando a 1,087 MW médio por m3/s.

Em 2021, os técnicos da Itaipu aprimoraram ainda mais esse processo de gestão e, pelo terceiro ano consecutivo, estabeleceram um novo recorde de produtividade, com 1,098 MWméd/m³/s, com destaque para o mês de julho, quando foi atingida a melhor marca mensal na história da usina, com 1,1221 MWméd/m³/s.

Para o diretor técnico executivo da Itaipu, Celso Torino, a busca constante por maior eficiência é uma estratégia que a Itaipu vem aprimorando há vários anos e deverá permanecer como uma importante lição aprendida, mesmo em um cenário de recuperação hidrológica no futuro. “Essa sintonia entre as equipes será fundamental para assegurar, também, a máxima produção durante o processo de Atualização Tecnológica da usina”, afirmou Torino.

fotos: Rubens Fraulini/Itaipu Binacional