Chico Brasileiro pede a ministro da saúde barreiras sanitárias e vacinação em massa na fronteira

O prefeito Chico Brasileiro alertou o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, durante reunião virtual nesta segunda-feira (14), sobre a urgência de fazer um controle nos municípios que fazem fronteira com outros países, como é o caso de Foz do Iguaçu, para evitar a entrada de novas variantes do coronavírus.

Foto: Christian Rizzi/PMFI

No encontro, que reuniu também prefeitos de cidades aeroportuárias, o prefeito defendeu a vacinação em massa nas fronteiras. O ministro da Saúde disse que irá levar o pleito da vacinação ao comitê do Plano Nacional de Imunização e que o controle nas fronteiras é uma decisão que envolve outros três ministérios. 

“Claro que cada fronteira tem a sua especificidade, tem fronteiras bastante populosas, como é o caso de Foz do Iguaçu, e tem fronteiras menores, mas todas têm que ter uma política especial, porque fazemos fronteiras com outros países onde circulam variantes”, afirmou o prefeito Chico Brasileiro, que é vice-presidente da Frente Nacional de Prefeitos (FNP) para as cidades transfronteiriças.

Ele citou como exemplo o caso da Argentina – mesmo com a fronteira fechada desde março de 2020, centenas de caminhões vindos do país transitam por Foz do Iguaçu todos os dias. Já em relação ao Paraguai, o prefeito comentou que 40 mil pessoas passam pela Ponte da Amizade todos os dias, e “não tem nenhum controle de quem entra e sai do Brasil”. 

Embora Foz do Iguaçu tenha se preparado para enfrentar a pandemia, com cinco ampliações no Hospital Padre Germano Lauck e reorganização do sistema municipal de saúde – o que possibilitou que nenhuma pessoa com covid-19 deixasse de receber o atendimento -, “o sistema não está dando conta”. 

“Estamos com 100% dos leitos ocupados, já aumentamos em 700% nossa capacidade de criação de leitos. Não tem mais profissionais, não tem para onde expandir leitos”, afirmou Brasileiro. A proposta do prefeito, como representante dos municípios de fronteiras brasileiras, ao ministro é que sejam instalados controles sanitários nas fronteiras.”O município se dispõe a ajudar a Anvisa nessa controle, para que possamos proteger o Brasil”. A secretária municipal de Saúde, Rosa Maria Jerônymo, também acompanhou a reunião. 

O ministro afirmou que a decisão em relação às fronteiras não depende apenas do Ministério da Saúde, mas também da Casa Civil e dos ministérios da Justiça e da Infraestrutura. Ele disse, ainda, que será ampliado o número de testes enviados pelo Ministério para ter uma maior detecção dos casos positivos de covid-19. Segundo Queiroga, ideia é ampliar a testagem para “níveis próximos do que acontece nos EUA e Reino Unido”. 

Mais vacinas

O prefeito de Foz do Iguaçu também solicitou ao ministro da Saúde a entrega de mais vacinas à cidade. “Temos milhares de brasileiros que moram no Paraguai e essas pessoas vem se vacinar aqui. Não podemos negar atendimento a brasileiros. Gostaríamos que o ministério incorporasse os dados dos consulados brasileiros nos países vizinhos para que essa população seja enxergada e as vacinas sejam ampliadas para os municípios de fronteira”. 

Em relação ao aumento da quantidade de vacinas, Queiroga afirmou que irá encaminhar o pleito dos municípios de fronteira à câmara técnica do Plano Nacional de Imunização, que é responsável pela decisão.

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Mercado financeiro investe em pesquisas eleitorais

Os agentes do mercado financeiro são altamente interessados pelas projeções das pesquisas eleitorais para presidente da República e agora cada vez mais instituições estão financiando pesquisas eleitorais. Pesquisas movimentam os indicadores financeiros, como dólar, juros, aplicações, inflação. Também são utilizadas para indicar as doações aos candidatos. A tendência ficou mais clara principalmente a partir da candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2002, que implantaria medidas à esquerda, levantando suspeitas entre financistas.

Entre o primeiro e o segundo turnos daquele ano, conforme as pesquisas apontavam a vitória de Lula, o dólar atingiu o recorde de R$ 4, mostrando a insatisfação dos investidores com o candidato petista. Naquele ano, a moeda norte-americana acumulou alta de 53,2%. A calmaria só foi se estabelecendo com a Carta aos Brasileiros, assinada em junho de 2002 por Lula, em que declarava que evitaria medidas extremas e respeitaria contratos. O apoio do candidato do PT a um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) foi outra medida neste sentido. As instituições financeiras preferiam a eleição do seu opositor, José Serra (PSDB), que saiu derrotado. A eleição de 2002 representou um pico em relação aos saltos financeiros. De lá para cá, com a reeleição de Lula em 2006 e com as duas eleições de Dilma Rousseff as instabilidades ocorreram, mas foram menores –considerando apenas momentos eleitorais.

Até a eleição de 2018, o mercado monitorava o comportamento dos candidatos pelas pesquisas tradicionais realizadas por Datafolha, Ibope (agora Ipec), Sensus, mas a partir daquela eleição começaram também a investir em pesquisas. A corretora XP foi a primeira. Naquele ano, a XP iniciou a parceria com o Ipespe (Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas), capitaneado por Antonio Lavareda, cientista político que atuou em campanhas de candidatos. A parceria XP/Ipespe vigora até agora.

A XP “fez escola” e outras três instituições financeiras estão à frente de levantamentos atualmente. A Genial Investimentos financia a pesquisa da Quaest e a revista Exame, que pertence ao banco BTG Pactual, tem acordo financeiro com a empresa Ideia. As três pesquisas foram as primeiras a vir a público neste início de 2022. O banco digital Modalmais se aliou à Futura, mas há poucos dias a XP adquiriu a empresa, o que coloca em dúvida a continuidade do financiamento da pesquisa por esta corretora. XP, Genial e BTG têm sede, claro, na avenida Faria Lima, que concentra as financeiras em São Paulo. Não longe dali, o Modalmais fica na avenida Juscelino Kubitschek.

Os resultados dessas pesquisas são amplamente veiculados em sites, jornais e por emissoras de TVs, o que confere alta importância a seus dados por influenciarem na decisão de voto de eleitores. Mas a desconfiança é se clientes dessas instituições recebem os resultados antecipadamente e, assim, obtém prioridade para manipular seus investimentos conforme a dança dos candidatos. Por enquanto, as intenções de voto estão estáveis, mas no futuro pode haver instabilidades.

Em reportagem recente publicada pela mídia tradicional, as quatro financeiras informaram que divulgam ao público imediatamente após fecharem os resultados e negaram acesso privilegiado ou especulação.

Quanto ao comportamento eleitoral dos pré-candidatos à Presidência, até agora os resultados de todas as pesquisas são similares: Lula à frente, com chance de vitória no primeiro turno, seguido de longe pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) e em seguida por um pelotão de candidatos com baixos índices de intenção de votos.

Mesmo que a pontuação não seja exatamente a mesma, os índices se aproximam se aplicadas as margens de erro. Pelas pesquisas que vieram a público sobre o primeiro turno, entre 12 e 14 de janeiro, o ex-presidente Lula aparece com 45% na Quaest, enquanto Bolsonaro recebeu 23% das intenções de voto. Na XP/Ipespe, Lula tem 44% e Bolsonaro, 24%. Na Exame/Ideia, Lula aparece com 41% e Bolsonaro, com 24% –como a margem de erro é de três pontos percentuais nesta pesquisa, o líder do PT teria até 44%, aproximando-se dos resultados das demais empresas.

Na comparação com os dados apurados em dezembro por Ipec (14/12) e Datafolha (16/12) Lula leva vantagem: nos dois levantamentos, o líder do PT tem 48% das intenções de voto e venceria no primeiro turno. Se calculada a margem de erro nos dois casos, Lula teria até 50%, acima dos resultados das financeiras. Bolsonaro recebeu 22% (Datafolha) e 21% (Ipec), similares aos demais. O levantamento do Datafolha foi abrangente: entrevistou presencialmente 3.666 eleitores no país e o Ipec viu 2.200 pessoas também de forma presencial.

Em terceiro e muito distante dos dois primeiros, o ex-juiz e ex-ministro Sergio Moro (Podemos) ficou com 9% na Quaest, no Ipesp e no Datafolha, chegando a 11% na Ideia –índices similares pela margem de erro. A entrada de Moro na disputa, após dois meses do lançamento da campanha e com ampla cobertura da mídia, principalmente televisiva, indica que ele não conseguiu modificar o cenário eleitoral. Mesmo o ex-governador Ciro Gomes (PDT) continuou nos 5% a 7%.

Quanto custa uma pesquisa

Os custos das pesquisas eleitorais levam em conta, principalmente, o tipo de entrevistas, se presenciais (tidas como mais confiáveis) ou por telefone, além da abrangência da amostra. O levantamento da Quaest divulgado em janeiro custou R$ 268,7 mil para a realização de 2.000 consultas presenciais. O Ipespe cobrou bem menos, R$ 42 mil, mas realizou apenas mil consultas por telefone. Na Ideia, o custo foi de R$ 27,97 mil para 1.500 entrevistas telefônicas.

Entre os institutos tradicionais, o jornal Folha de S.Paulo financia as pesquisas do Datafolha enquanto o Ipec (Inteligência em Pesquisa e Consultoria Estratégica, criado por ex-executivos do Ibope) vem atuando com recursos próprios e neste ano estas empresas ainda não registraram pesquisas no sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O registro é obrigatório, para dar credibilidade aos resultados, e a divulgação sem este registro leva a penalidades. Informar o TSE sobre os vários detalhes da realização de pesquisas, o que deve ser feito cinco dias antes de vir a público, é uma praxe em anos eleitorais.

Carmen Munari é jornalista, foi da Folha de S.Paulo, Reuters e Valor Econômico

Medicamento à base de Cannabis é liberado pela Anvisa; já são 11 no Brasil

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o décimo medicamento no país à base de Cannabis, nesta terça-feira (18).

O Extrato de Cannabis Sativa Ease Labs 79,14 mg/ml é obtido por meio do extrato vegetal da Cannabis sativa, planta conhecida como ‘maconha’.

A Anvisa diz que o medicamento, fabricado na Colômbia, será importado e distribuído no Brasil como produto acabado e pronto para uso.

O órgão informa que a medida foi publicada no Diário Oficial da União (D.O.U.), por meio da Resolução RE 136, de 17 de janeiro de 2022.

Segundo a agência, o remédio estará disponível sob a forma de solução em gotas para uso oral, contendo 47,5 mg/ml de canabidiol (CBD) e não mais do que 0,2% de tetrahidrocanabinol (THC) — substâncias da planta.

O medicamento será comercializado em farmácias e drogarias a partir da orientação médica por meio de receita do tipo B (de cor azul) — especial para prescrição de psicofármacos, diz a Anvisa.

Com isso, até o momento,o país dispõe 11 produtos aprovados pela Anvisa nessa categoria, de acordo Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) 327/2019.

A agência reguladora reitera que, desses 11 produtos, cinco são à base de extratos de Cannabis sativa e seis de canabidiol. Confira a lista:

Canabidiol Prati-Donaduzzi (20 mg/mL; 50 mg/mL e 200 mg/mL);
Canabidiol NuNature (17,18 mg/mL);
Canabidiol NuNature (34,36 mg/mL);
Canabidiol Farmanguinhos (200 mg/mL);
Canabidiol Verdemed (50 mg/mL);
Extrato de Cannabis sativa Promediol (200 mg/mL);
Extrato de Cannabis sativa Zion Medpharma (200 mg/mL);
Canabidiol Verdemed (23,75 mg/mL);
Extrato de Cannabis sativa Alafiamed (200 mg/mL);
Extrato de Cannabis sativa Greencare (79,14 mg/mL); e
Extrato de Cannabis sativa Ease Labs (79,14 mg/mL).

CNN Brasil