Brasil vira anão diplomático e busca aliados de forma desesperada, diz especialista

Acordo aéreo com Equador referendado no Senado reflete alinhamento brasileiro a Quito e é busca desesperada por apoio de uma diplomacia que se apequenou, disse especialista à Sputnik Brasil.

Nesta terça-feira (26), após uma espera de oito anos, o Senado aprovou o Projeto de Decreto Legislativo 74/2020, que referenda acordo sobre serviços aéreos entre Brasil e Equador, celebrado em 2013.

Segundo o relator da iniciativa, senador Marcos do Val (Podemos-ES), que é da base governista, o acordo “fortalece os laços de amizade entre os dois países por meio da possibilidade de conexão direta viabilizada por transporte aéreo”, o que poderia “incrementar as trocas comerciais e o trânsito de turistas entre Brasil e Equador”.

‘Representa muito pouco’

Para o especialista em aviação comercial e economista Ricardo Balistiero, no entanto, a realidade é outra. Embora ressalte que “é melhor ter um acordo do que não ter”, o professor do curso de administração do Instituto Mauá de Tecnologia diz que a iniciativa, “do ponto de vista econômico”, “representa muito pouco” para o Brasil.

Segundo ele, as relações comerciais entre Brasil e Equador “não são tão intensas”, e, portanto, não é possível esperar “grande abertura de mercado”. Além disso, “do ponto de vista turístico, vai pouca gente daqui para o Equador”.

Balistiero frisa ainda o que o Equador “está em uma grave crise econômica e social, advinda da pandemia”, e, por isso, “não dá para esperar que esse fluxo aumento muito”. Além disso, segundo o professor, o Equador deve tirar mais proveito da iniciativa do que o Brasil, devido às diferenças entre as duas economias.

Para o especialista, o acordo, portanto, é “muito mais para, de alguma maneira, exaltar as boas relações entre os dois países”.

Bolsonaro em Quito para posse

A aprovação do Projeto de Decreto Legislativo surge um dia depois do presidente Jair Bolsonaro participar, na segunda-feira (24), em Quito, da posse do novo chefe de Estado do Equador, Guilherme Lasso.

Político conservador e de tendências liberais, o banqueiro Lasso derrotou a esquerda nas eleições equatorianas. A ida de Bolsonaro a Quito foi gesto que o mandatário brasileiro se negou a fazer na vizinha Argentina por ocasião da posse de Alberto Fernández – quando o governo brasileirou enviou o vice Hamilton Mourão.

“Vamos lembrar que o Equador está fora do Mercosul, então não dá para vislumbrarmos qualquer comércio bilateral com o Equador sem passar pelo Mercosul, a despeito de no governo Bolsonaro o Mercosul ter sido colocado de lado, exatamente pelas divergências política com nosso principal parceiro na região, que é a Argentina”, ponderou Balistiero.

Brasil ‘isolado’

Segundo o especialista, o fato do acordo aéreo ter sido referendado no Senado logo após a visita ao Equador, após mofar oito anos na Casa, não pode ser “tanta coincidência assim”, pois pode “ter acelerado a base do governo” a fazer algum tipo de pressão para desengavetar a iniciativa.

Por outro lado, Balistiero diz que o Brasil está bastante isolado no cenário internacional e busca apoios “desesperadamente”, mesmo que seja com países de pouca “relevância diplomática”.

“Temos que pensar que são dois governos de direita. E o governo brasileiro tem procurado apoio internacional mesmo que esse apoio venha de um país com pouca relevância diplomática e econômica, com todo o respeito que o Equador merece. O governo brasileiro está cada vez mais isolado no âmbito internacional, então, quando você tem um presidente alinhado às ideias políticas da presidência da República atual do Brasil, quase que desesperadamente você busca ter esse alinhamento”, disse o economista.

Países ‘sem relevância’

Para o especialista, o Brasil, que “sempre foi um país com relevância diplomática”, perdei a neutralidade, assumiu um lado e tem se “rebaixado muito”.

“Quando o Trump perde a eleições nos Estados Unidos, o presidente da República vai buscar apoio na Polônia, na Hungria, países com nenhuma relevância diplomática, e isso, de alguma forma apequena o Brasil”, afirmou Ricardo Balistiero.

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Batoré, ator e humorista, morre em São Paulo

Ivanildo Gomes Nogueira, o Batoré, estava com câncer. Ele fez o papel do delegado Queiroz na novela ‘Velho Chico’, da Rede Globo.

O ator e humorista Ivanildo Gomes Nogueira, de 61 anos, conhecido como Batoré, morreu nesta segunda-feira (10), em São Paulo. Ele estava com câncer.

Batoré morreu na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Pirituba, Zona Norte da capital. “As informações médicas foram repassadas à família e a Secretaria Municipal de Saúde lamenta o ocorrido”, diz nota da Prefeitura.

Ivanildo nasceu em Serra Talhada, em Pernambuco, e se mudou para São Paulo ainda criança. Antes de se tornar ator, jogou futebol nas categorias de base em times paulistas.

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Foto: reprodução

Eleições 2022: confira as regras para propaganda eleitoral

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou, em dezembro, todas as normas que valerão para as eleições gerais de 2022, incluindo aquelas referentes à propaganda eleitoral. As informações são da Agência Brasil.

Entre as principais novidades está o endurecimento das regras relativas à produção e compartilhamento de informações sabidamente inverídicas sobre candidatos, partidos e o próprio processo eleitoral.

Tais condutas já eram vedadas e coibidas pela Justiça Eleitoral, mas a nova resolução prevê a responsabilização penal mais severa de quem espalhar desinformação.

Quem divulgar, na propaganda eleitoral ou durante a campanha, fake news sobre candidatos e partidos, por exemplo, fica agora sujeito à pena de detenção de dois meses a um ano, além de multa.

A mesma pena se aplica a quem produz, oferece ou vende vídeo com conteúdo inverídico acerca de partido ou candidato. A punição é acrescida de um terço se a conduta for praticada por meio de rádio, televisão ou redes sociais.

Pena ainda maior – de dois a quatro anos de prisão e multa de R$ 15 mil a R$ 50 mil – está prevista para quem contratar terceiros com a finalidade de emitir mensagens ou comentários na internet para ofender a honra ou desabonar a imagem de candidato, partido ou coligação.

A resolução ainda deixa explícito ser proibida a divulgação e compartilhamento de fatos sabidamente inverídicos ou gravemente descontextualizados que atinjam a integridade do processo eleitoral.

“Isso quer dizer que eventuais mentiras espalhadas intencionalmente para prejudicar os processos de votação, de apuração e totalização de votos poderão ser punidos com base em responsabilidade penal, abuso de poder e uso indevido dos meios de comunicação”, alertou o TSE.

Assim como em eleições anteriores, segue também vedado o disparo em massa de comunicações via aplicativos de mensagens instantâneas, embora seja possível contratar o impulsionamento de conteúdo na internet, desde que o serviço seja contratado junto a empresas previamente cadastradas no TSE.

Showmício

Segue vedada ainda a realização, seja de forma presencial ou via transmissão pela internet, dos chamados showmícios – eventos culturais com o objetivo claro de promover candidato ou partido. Contudo, fica permitida a realização de shows e eventos com objetivo específico de arrecadar recursos de campanha, desde que não haja pedido de votos.

Essas e outras regras específicas sobre propaganda eleitoral já foram publicadas  no Diário da Justiça Eletrônico e podem ser acessadas aqui.