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2 em cada 3 curitibanos aprovam a administração do prefeito Ducci

Paraná Pesquisas mostra que taxas de popularidade de Richa e Dilma também são altas em Curitiba. Mas há uma tendência de aumento da desaprovação dos três em virtude de denúncias

por Rosana Félix e Fernando Martins, na Gazeta do Povo

A pouco menos de dez meses da eleição de outubro, a administração do prefeito de Curitiba, Lu­­­ciano Ducci (PSB), é aprovada por dois em cada três eleitores da cidade. Levantamento de opinião encomendado pela Gazeta do Povo ao Instituto Paraná Pesquisas revela que Ducci, que irá concorrer à reeleição, tem a aprovação de 67% dos curitibanos.

Sua gestão é desaprovada por 27,4%. E 5,6% não souberam responder ou não opinaram. A pesquisa foi realizada entre os dias 4 e 8 de dezembro.

O levantamento ainda revela que o governador Beto Richa (PSDB) é o governante mais popular em Curitiba. Sua administração é aprovada por 71,1%, contra uma desaprovação de 24%. E a popularidade da gestão da presidente Dilma Rousseff (PT), embora elevada (61,2%), é a menor dos três ocupantes de cargos no Executivo. Dilma é desaprovada por 33,2% dos eleitores curitibanos.

Mais críticos

Apesar de a aprovação ser alta nos três níveis governamentais, a pesquisa indica uma leve tendência de aumento da insatisfação dos curitibanos. Em comparação com levantamento feito no fim de abril, a aprovação dos três oscilou para baixo e a desaprovação, para cima. Porém, a variação ficou, em geral, dentro da margem de erro da pesquisa, que é de 3,5 pontos porcentuais para mais ou para menos.

Ducci, em abril, tinha 69,2% de aprovação, contra os atuais 67%. Para Richa, a avaliação positiva variou de 74,8% para 71,1%. E, no caso de Dilma, caiu de 64,1% para 61,1%.

Apesar de todas as alterações estarem dentro da margem de erro, os especialistas dizem que o cidadão sentiu o peso de denúncias como as que atingiram a Câmara de Curitiba e ministros do governo Dilma. Por isso, se mostra agora mais crítico e dá sinais de um descontentamento com a política. Além disso, a falta de ações concretas em algumas áreas também pode estar prejudicando a imagem dos governantes.

“Quando uma cidade está envolvida em um caso de denúncia [as suspeitas de irregularidades na publicidade da Câmara], isso acaba afetando o quadro geral. Tem relação com a descrença com toda a classe política”, avalia o diretor da Paraná Pesquisas, Murilo Hidalgo.

Para o cientista político Ricardo Oliveira, professor da UFPR, a queda do vereador João Cláudio Derosso (PSDB) – que se licenciou da presidência da Câmara após o Ministério Público questionar supostas irregularidades cometidas por ele – causou impacto na população. “Ele era presidente [da Casa] desde 1997. O eleitorado sentiu o baque e isso não contribui para a boa imagem dos políticos de uma forma geral.”

“Tendo a concordar com a situação de descrença geral dos políticos, mas pode ser que o governo do estado, por exemplo, esteja tomando medidas que desagradem ou que esteja mostrando pouco resultado para a expectativa que foi criada na eleição”, observa o professor de Ciência Política Luiz Domingos Costa, da Uninter.

A queda na avaliação de Dilma também pode ser creditada, em parte, às denúncias de irregularidades envolvendo o primeiro escalão do governo federal. Mas a presidente conquistou algo que o prefeito e o governador não conseguiram: ela tem aprovação maior entre os curitibanos com mais escolaridade (veja infográfico em anexo).

“No geral, a economia não está nos melhores momentos, mas também não está ruim. O efeito [da queda de popularidade] tende a ser o da corrupção”, afirma Costa. Para Murilo Hidalgo, a postura de Dilma em relação às denúncias é um contraponto à atuação de Lula, que costumava cobrar menos explicações e ser mais tolerante com os subordinados. “A faxina feita por Dilma surtiu efeito, e seu perfil menos populista conquistou uma parte do eleitorado mais escolarizado.”

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