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PMDB TEM QUE TER CANDIDATO A PRESIDENTE, DIZ MANGABEIRA

O professor Roberto Mangabeira Unger defendeu nesta quarta-feira (14), em Curitiba, a candidatura própria do PMDB nas eleições presidenciais de 2010. “O maior partido do país precisa ter a proposta para o país. Não pode ser uma massa de manobra de outras forças”, disse Mangabeira antes da palestra no diretório estadual do partido no Paraná.

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PMDB TEM QUE TER CANDIDATO A PRESIDENTE, DIZ MANGABEIRA

PMDB TEM QUE TER CANDIDATO
A PRESIDENTE, DIZ MANGABEIRA

O professor Roberto Mangabeira Unger defendeu nesta quarta-feira (14), em Curitiba, a candidatura própria do PMDB nas eleições presidenciais de 2010. “O maior partido do país precisa ter a proposta para o país. Não pode ser uma massa de manobra de outras forças”, disse Mangabeira antes da palestra no diretório estadual do partido no Paraná.

“O povo brasileiro não quer caridade, quer oportunidades e capacitações e eu vou lutar para que o PMDB, o maior partido brasileiro, tenha uma proposta prática para cumprir essa grande libertadora”, completou.

Mangabeira, que se filiou no PMDB do Rio de Janeiro, disse que começou a debater as diretrizes do projeto do partido junto com o governador do Paraná, Roberto Requião. “O PMDB pode ser um agente político dessa alternativa nacional e tenho certeza que posso contar com o governador Requião para essa empreitada”.

TEMAS – O professor aponta os cinco principais temas que podem formar as diretrizes do programa nacional do PMDB: a democratização das oportunidades econômicas; condições práticas para garantir a soberania brasileira perante a economia mundial; capacitação e ampliação das oportunidades educativas; reconstrução do estado brasileiro; e construção de um modelo de desenvolvimento que afirme a primazia dos interesses da produção e do trabalho sobre os interesses do rentismo.

O governo Lula, reconhece Mangabeira, promoveu grandes avanços no Brasil, consolidou a estabilidade econômica e libertou milhões de brasileiros da pobreza, abriu para outros milhões de jovens as portas das universidades e da escola técnica e levou o país ao primeiro plano da política mundial.

“Fez tudo isso, entretanto, o tema da eleição de 2010 não é o passado, é o futuro. A grande tarefa do país é organizar um novo modelo de desenvolvimento baseado em ampliação de oportunidades para aprender, para trabalhar e para produzir. Um modelo que afirme a primazia dos interesses do trabalho e da produção sobre os interesses do dinheiro do capital financeiro”, defende.

BASE SOCIAL – O professor disse que há uma base social concreta para a reconstrução hoje no Brasil. Ele aponta o surgimento de uma nova classe média de milhões de brasileiros que lutam para abrir pequenos negócios, estudam a noite e que inaugura no país uma cultura de auto-ajuda e de iniciativa.

Mangabeira defende uma revolução brasileira em que o Estado use “seus poderes e recursos para permitir a maioria seguir o exemplo dessa vanguarda de batalhadores e emergentes”.

“Eu vou percorrer todo o país, estado a estado, e debater as bases do partido. Entendo que a primeira tarefa é organizar o debate sobre a proposta. O natural é que esta proposta se traduza também em um projeto de poder e, portanto, numa candidatura presidencial”, defende.

REQUIÃO – Mangabeira disse ainda que o povo brasileiro já demonstrou, repetidas vezes, que é capaz de construir um nome que comande um novo projeto de desenvolvimento da nação. “O PMDB tem muitos nomes, inclusive o do governador Requião, inteiramente capacitados para exercer a presidência da república”.

“Mas o problema agora não é o nome. O problema agora é o projeto e entendo que o processo de debate desse projeto ajudará a esclarecer o caminho a tomar para transformar essa proposta programática num projeto de poder”, completou.

Leia a seguir os tópicos das propostas
de Mangabeira Unger para o PMDB

Análise da atual conjuntura
Entendo que o maior partido do país precisa ter a proposta para o país, não pode ser uma massa de manobra de outras forças. O governo Lula promoveu grandes avanços no Brasil, consolidou a estabilidade econômica barrando o caminho de volta da hiperinflação, libertou milhões de brasileiros da pobreza, abriu para outros milhões de jovens as portas das universidades e da escola técnica, iniciou grandes obras de infraestrutura e levou o Brasil para o primeiro plano da política mundial.

Fez tudo isso, entretanto, o tema da eleição de 2010 não é o passado, é o futuro. A grande tarefa do país é organizar um novo modelo de desenvolvimento baseado em ampliação de oportunidades para aprender, para trabalhar e para produzir. Um modelo que afirme a primazia dos interesses do trabalho e da produção sobre os interesses do dinheiro do capital financeiro.

Há uma base social concreta para essa reconstrução hoje no Brasil. É o surgimento de uma nova classe média morena e mestiça de milhões de brasileiros que vêm de baixo, que lutam para abrir pequenos negócios, que estudam a noite e que inaugura no país uma cultura de auto-ajuda e de iniciativa. Já estão no comando do imaginário popular, o horizonte que a maioria quer seguir.

Hoje a revolução brasileira seria o estado usar seus poderes e recursos para permitir a maioria seguir o exemplo dessa vanguarda de batalhadores e emergentes. O povo brasileiro não quer caridade, quer oportunidades e capacitações e eu vou lutar para que o PMDB, o maior partido brasileiro, tenha uma proposta prática para cumprir essa grande libertadora.

Por isso, eu vou percorrer todo o país, estado a estado, e debater as bases do partido. Entendo que a primeira tarefa é organizar o debate sobre a proposta. O natural é que esta proposta se traduza também em um projeto de poder e, portanto, numa candidatura presidencial.

Não é sadio para vida republicana que um grande partido, muito menos o maior partido, de um país seja a linha auxiliar de outros partidos. Mas não se trata agora de discutir candidaturas, o PMDB tem muitos nomes, inclusive o do governador Requião, inteiramente capacitados para exercer a presidência da república.

O povo brasileiro já demonstrou, repetidas vezes, que é capaz de construir um nome e de aceitar e abraçar um nome ainda relativamente desconhecido em toda a nação. Mas o problema agora não é o nome, o problema agora é o projeto e eu entendo que o processo de debate desse projeto ajudará a esclarecer o caminho a tomar para transformar essa proposta programática num projeto de poder.

Projeto político do PMDB

Eu estou debatendo, começando à discutir e pretendo discutir em todo o país, as grandes diretrizes desse projeto. Eu vejo cinco temas principais. O primeiro tema é a democratização das oportunidades econômicas. Uma política industrial voltadas para as pequenas e médias empresas, que são a parte mais importante de nossa economia. Uma política agrícola que assegure atributos empresariais para a agricultura familiar, nada de persistir nesse contraste ideológico absurdo entra a agricultura empresarial e a agricultura familiar. Uma reforma das relações entre o capital de trabalho que organize um novo corpo de regras para proteger, representar e organizar a maioria que está fora da proteção da lei, metade da população economicamente ativa do país ainda na economia informal e uma parte crescente de trabalhadores na economia formal em situação de trabalho temporário terceirizado ou autônomo.

Segunda grande vertente dessa alternativa nacional é assegurar as condições práticas para que o Brasil não fique de joelhos na economia do mundo. Nós temos que mobilizar nossos próprios recursos inclusive a nossa própria poupança e construir os canais que mobilizem as poupanças de longo prazo para um investimento produtivo de longo prazo e não permitam que a poupança nacional se dissipe num cassino financeiro. Nem um país fica rico com o dinheiro dos outros, o capital estrangeiro é tanto mais útil quanto menos se precisa dele.

A terceira grande vertente desse projeto é a capacitação do povo brasileiro, a ampliação das oportunidades educativas. Há duas prioridades. A primeira prioridade é organizar os instrumentos que permitam reconciliar nosso país muito grande, muito desigual e de regime federativo a gestão local das escolas pelos os estados e os municípios com padrões nacionais de investimentos e de qualidade. A qualidade da educação que uma criança brasileira recebe não deve depender do acaso do lugar de onde ela nasce. A segunda prioridade é substituir o ensino que temos, ainda pautado pelo decoreba, pelo enciclopedismo informativo superficial por um ensino analítico e capacitador.

A quarta vertente é reconstruir o estado brasileiro, a verdade é que não temos ainda o estado capaz de fazer tudo isso. Há três agendas a promover simultaneamente, uma agenda do profissionalismo burocrático, uma agenda da eficiência administrativa e uma agenda do experimentalismo da maneira de prover os serviços públicos como a educação e saúde. Não há porque escolher entre a provisão burocrática de serviços padronizados de baixa qualidade e a privatização desses serviços em favor de empresas movidas por objetivo de lucro. Há uma outra possibilidade que é o estado ajudar a preparar a organizar, a financiar e a monitorar a sociedade civil independente para que ela também participe da provisão competitiva e experimental dos serviços públicos.

Portanto todo esse projeto, resumido nessas grandes vertentes é unificado pelo mesmo objetivo, objetivo é construir um modelo de desenvolvimento que afirme a primazia dos interesses da produção e do trabalho sobre os interesses do rentismo, os interesses do dinheiro estéril e dar braços, asas e olhos a principal qualidade do Brasil que é a sua vitalidade. Há uma energia empreendedora e criativa que fervilha frustrada e dispersa em todo o lugar no nosso país, o que eu quero é vê-la instrumentalizada com oportunidades e capacitações. Transformar o nosso espontaneismo em flexibilidade preparada. E eu vou lutar para que o PMDB seja um agente político dessa alternativa nacional.