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Na Imóvel Magazine, Joel Malucelli, por Joel Malucelli

O empresário paranaense Joel Malucelli, que construiu um império a partir de um trator adquirido em 10 prestações, é o personagem da reportagem de Thabata Martin, na revista Imóvel Magazine.

Malucelli, que recentemente se filiou ao PSD e já anunciou que no ano que vem se aposenta dos negócios, conta os detalhes de sua vida profissional e empresarial.

Aos 18 anos ele passou em dois concursos públicos, no Banco do Brasil e na Copel. Optou pelo segundo emprego, onde ficou por apenas um ano.

Leia a seguir a íntegra da entrevista:

“O poder da multiplicação

por Thabata Martin

Estou diante de um dos mais admirados empresários paranaenses. Este homem, autoconfiante e de personalidade forte, destaca uma biografia que impressiona pelas conquistas, cargos e títulos. Joel Malucelli, fundador e presidente do GrupoJMalucelli, construiu seu império composto por 63 empresas, fundadas em 66 anos de vida. Multifacetado, ele se impõe nas mais diversas áreas, mas é na construção pesada que ele se realiza. Também não é raro ver seu nome associado ao futebol, sua grande paixão. Na entrevista a seguir você poderá saber um pouco mais sobre este ícone paranaense.

As pessoas costumam reclamar da falta de tempo para cumprir os compromissos agendados. Como o senhor administra seu dia?
Elas reclamam porque são desorganizadas. Quem mantém tudo organizado não tem problema. Eu tenho em torno de 50 reuniões por mês e não atraso um minuto. Eu inclusive chego antes, para dar o exemplo. Se alguém não chega na hora certa fica para fora da reunião. As reuniões têm hora para começar e terminar. E essa prática tem funcionado bem. São reuniões práticas, misturadas com um pouco de bom humor.

Você se descobriu um empreendedor bem cedo. Em que cenário você cresceu?
Apesar de o meu pai ter sido um industrial, ele tinha uma indústria para ser dividida com os irmãos dele, e os filhos dos dois. Tentávamos viver sempre em função desse negócio, que se tornou pequeno em função da família que foi crescendo. Eu era o mais novo da nova geração e fui o primeiro a sair porque percebi que não tinha futuro ali.

Vocês eram em quantos irmãos? Esse senso empreendedor era comum a todos?
Éramos sete, mas já perdi dois deles. Apesar de a nossa família ser aqui do litoral, de Morretes, minha mãe é de São João do Triunfo – são dois municípios pequenos – nós sempre tivemos a ousadia de tentar as coisas fora.

Como avalia o início e a construção de sua história?
Eu sempre gostei muito de ganhar dinheiro, desde os nove anos de idade. Meu pai sempre me deu a liberdade para ganhar meu dinheirinho. Eu vendia revistas usadas na porta do Cine Curitiba, juntei bolinhas de tênis no Clube Curitibano e garrafas de boliche na Sociedade Água Verde. Também trabalhei no Circo Queirolo, que era na esquina da minha casa. Na verdade, o trabalho de vendedor de pipoca no circo era mais para assistir o espetáculo, porque eu não tinha dinheiro para pagar o ingresso. Apesar de que na época não me faltava, mas foi com esse dinheiro que eu comprei minha bicicleta, meu meio de transporte para ir para a escola sem ter que gastar dinheiro com ônibus. O dinheiro era para realizar os meus desejos.

Aos 18 anos você passou, em primeiro lugar, em dois concursos públicos, certo? No entanto, você trabalhou apenas um ano como funcionário. Como foi isso?
Isso. Passei na Copel e no Banco do Brasil, mas optei pela Copel. Trabalhei lá exatamente um ano e juntei dinheiro para comprar meu primeiro carro de praça (táxi). Ao invés de usar o carro eu andava a pé e deixava o carro rodando para faturar mais. Naquela época eu já estava delegando. Nesse período, quando eu ganhei minhas primeiras férias, um tio meu me chamou, quis ajudar a mim e a um primo. Ele se propôs a avalizar meu primeiro trator – uma pá carregadeira, que comprei em dez prestações. Então eu fui para São Mateus do Sul, como operador de máquina e dei conta de pagar essa dívida sozinho. Na época eles estavam construindo o trecho da estrada que ligou São Mateus do Sul – União da Vitória, ao estado do Paraná. Então eu fui morar lá. Quando as férias terminaram, eu fui até a Copel e pedi a conta. Meu chefe tinha me concedido uma promoção, mas eu não aceitei.

Com essa experiência adquirida você montou seu primeiro negócio?
Com 19 anos meu pai me emancipou para que eu pudesse montar minha primeira empresa. Era a Sociedade Paranaense de Engenharia e Empreendimentos Ltda.. Eu comecei com apenas aquele trator. Meu primeiro trabalho foi fazer uma estrada no norte velho do Paraná. Lá já foi um contrato direto com o DER na época. Passaram-se de três a quatro anos e eu já montei mais duas empresas. Uma delas foi uma Corretora de Câmbio de Valores, porque já começou a sobrar dinheiro e eu então aplicava ali e a outra foi uma empresa de reflorestamento porque na época, o governo queria estimular o reflorestamento e as empresas que pagavam o imposto de renda tinham o benefício de aplicar em reflorestamento. Nós chegamos a ter, depois de muitos anos, 13 fazendas reflorestadas pelo incentivo fiscal. Então entre um negócio e outro sempre existiu uma sinergia.

Você conseguiu ir além dos seus pais. Como era sua relação com eles?
Meu pai sempre foi um entusiasta. Sempre me deu muito apoio. Para você ter uma ideia, eu era solteiro e morava na casa dos meus pais quando tive o meu primeiro funcionário. Ele era encarregado de obras e teve que morar junto comigo. Nós acordávamos juntos, de madrugada, para viajar e ir para obra. Fazíamos as refeições e lavávamos as roupas ali.

Quando os prêmios e os reconhecimentos aos seus feitos começaram a acontecer?
Sempre. Ontem mesmo, a nossa seguradora (JMalucelli Seguradora e JMalucelli RE, que lideram o mercado brasileiro) foi até São Paulo receber o prêmio ‘Negócio do Ano’, concedido pela IG/Insper. Somos o segundo case do Brasil (depois da Tam/Lan Chile), a proporcionar para o acionista um grande negócio.”