“Para essa reunião trouxemos linhas de pensamentos distintos. O médico Dorival Ricci Júnior mostrou o tratamento precoce para a covid-19, uma questão que está sendo amplamente discutida nos meios de comunicação. O doutor Clóvis Arns da Cunha, presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, trouxe o debate do que há de mais recente nas descobertas científicas sobre os medicamentos citados como possíveis tratamentos para a doença”, completou.
Dorival Ricci Cunha Junior, cirurgião do Hospital Paraíso, na cidade Paraíso do Norte, defendeu o uso da cloroquina e hidroxicloroquina e o infectologista Clóvis Arns da Cunha reafirmou
Cloroquina – Dorival Ricci Júnior disse que mais de 3,5 mil médicos do país inteiro que defendem a prática do tratamento precoce. Relatou como se dá o contágio do vírus e como age no organismo, os sintomas e diagnóstico, além dos índices de mortalidade em cada uma das fases da doença.
Ricci Junior explicou que 81% dos infectados não têm sintomas em sua fase aguda; 14% tem sintomas moderados e precisam ser internados; e 5% deles evoluem para a fase grave, se não receberem o tratamento adequado. “O diagnóstico precoce aumenta muito a chance de cura”, disse. Ele afirmou que usou como base um estudo da universidade norte americana de Harvard. Sobre este argumento, o médico falou de tratamentos “off-label” que podem ser usados com o consentimento do paciente.
O médico afirmou que tudo depende do tempo em que as medicações são ministradas em cada fase da doença, de acordo com a replicação viral apresentada no organismo. “Quanto mais vírus houver, mais difícil conter seu avanço”, explicou.
“A Cloroquina e Hidroxicloroquina não são indicadas na fase em que não há replicação viral”, frisou. Segundo ele, que está em contato com doentes em seu trabalho diário, o uso da Cloroquina como forma de prevenção à doença é correto. “Eu e meus filhos tomamos semanalmente e não fomos infectados”. Explicou ainda que a droga está tendo uso disseminado entre os profissionais que estão nos hospitais em contato direto com doentes, além de casas de repouso para evitar seu avanço sobre os grupos de risco.
Dorival Ricci Júnior salientou que o medicamento não blinda o organismo, mas pode criar uma barreira de proteção que diminui em até 60% a possibilidade de infecção. De acordo com ele, os municípios brasileiros que adotaram o uso profilático dos medicamentos apresentaram números proporcionalmente muito inferiores aos que entraram em colapso em seus sistemas hospitalares, ainda segundo ele, por não terem tomado os tratamentos como regra.
Segurança – O infectologista Clóvis Arns enfatizou a necessidade das pesquisas de segurança e eficácia para todos medicamentos usados contra qualquer doença. “No momento temos apenas dois remédios aprovados para o Covid: a dexametasona e o Remdesivir, que não tem no Brasil e é caro. O tratamento nos EUA custa cerca de US$ 4 mil”.
De acordo com ele, a Hidroxicloroquina não tem eficácia comprovada por nenhum estudo mundial. “Ontem (8) saiu mais um artigo pela revista New England, tida como referência médica, que comprova que o medicamento é inócuo, com o exemplo do uso de Hidroxicloroquina e placebos em estudos randomizados tendo a mesma porcentagem de contágio após contato com pessoas infectadas”, explicou sobre os indivíduos que ingeriram a Cloroquina e os que tomaram cápsulas sem ela.
Clóvis Arns comparou o uso da Cloroquina com a pílula do Câncer e alertou que a disseminação da ideia de que ela cura é “desespero”. “Há a analogia de que estamos em uma guerra, mas não podemos matar nossos soldados”, exemplificou. Sobre a Ivermectina, Arns explicou que o remédio para verminose teve estudos clínicos que comprovam que é ineficaz para o combate à Covid-19. De acordo com ele, a dose para ocoronavírus deveria ser de cem a mil vezes maior do que a usada para verminoses. “Ninguém do mundo desenvolvido recomenda a Ivermectina na fase inicial”, afirmou.
O médico citou as dificuldades dos estados e municípios com a falta de remédios e aparelhos de oximetria, o que para ele deve ser o foco nas pautas dos debates. “Como cidadão paranaense, eu ficaria muito triste em ver qualquer dinheiro público, como foi o caso de Itajaí que gastou R$ 4,5 milhões para a compra de Ivermectina no lugar de Equipamento de Proteção Individual”, exemplificou. Ele reforçou que o isolamento social é ainda o único meio de evitar a disseminação da doença.
Arns propôs que a Frente Parlamentar de Combate ao Coronavírus e o Instituto Brasileiro de Infectologia trabalhem juntos para somar informações no atendimento às demandas.
Participação – Mais de 20 deputados acompanharam o debate. Michele Caputo sugeriu a participação do doutor Nestor Werner, diretor geral da Secretaria Estadual de Saúde, em uma próxima reunião da frente parlamentar para uma avaliação e levantamento da situação do Paraná em suas sete regiões de saúde durante o período que dura a pandemia.
Para o primeiro secretário, deputado Luiz Claudio Romanelli (PSB), as posições divergentes enriquecem o debate constante. “A decisão do tratamento está muito vinculada ao médico que atende o paciente”, afirmou.
Para o deputado Arison Chioratto (PT), os dois participantes, apesar de defender linhas divergentes de atuação, trabalham pela vida e a prevenção da doença. “Eu não vejo outra forma de prevenção que não seja o isolamento”, afirmou, questionando o consórcio de uso de alguns dos medicamentos disponíveis.
O deputado Nelson Luersen (PDT) elogiou o debate proposto pela Frente Parlamentar convidando profissionais com posições divergentes e falou das orientações que devem ser transmitidas aos produtores rurais em suas tarefas diárias na lavoura e pecuária. Luersen é sub coordenador da Agricultura na Frente Parlamentar.
A reunião foi transmitida ao vivo pela TV Assembleia e redes sociais do Legislativo, onde estão disponíveis para exibição.
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