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Ana Julia, do PT, pode substituir Renato Freitas na Câmara de Curitiba

Ana Julia, do PT, pode substituir Renato Freitas na Câmara de Curitiba A confusão causada pelo desfecho do protesto antirracista em Curitiba pode fazer com que a cidade ganha uma nova e jovem vereadora. A estudante Ana Júlia Ribeiro, do PT, deve se tornar a nova parlamentar da cidade caso se confirme a cassação do vereador Renato Freitas, que deve ter aberto contra si um processo disciplinar na Câmara Municipal após liderar o protesto que adentrou a Igreja do Rosário no último sábado (05).

A confusão causada pelo desfecho do protesto antirracista em Curitiba pode fazer com que a cidade ganha uma nova e jovem vereadora. A estudante Ana Júlia Ribeiro, do PT, deve se tornar a nova parlamentar da cidade caso se confirme a cassação do vereador Renato Freitas, que deve ter aberto contra si um processo disciplinar na Câmara Municipal após liderar o protesto que adentrou a Igreja do Rosário no último sábado (05).

Estudante de Direito e Filosofia, Ana Júlia tem 22 anos e é a primeira suplente da chapa do PT em Curitiba. Nas eleições de 2020, ela teve 4,5 mil eleitores e foi mais votada na ocasião do que 18 vereadores eleitos, lembra Rogério Galindo no Plural. Na chapa petista, acabou ficando atrás de Carol Dartora, Professora Josete e Renato Freitas.

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Ana Júlia ficou conhecida quando tinha 16 anos e, no plenário da Assembleia Legislativa, defendeu a ocupação de escolas no Paraná contra mudanças no ensino médio. O discurso rendeu notoriedade a ela – e também críticas da direita. Desde então, tem ampliado sua atuação política. Chegou a atuar no escritório Declatra, conhecido pela defesa de sindicatos e trabalhadores.

Há muita expectativa de que, pela repercussão negativa do ato, a maioria dos vereadores vote pela cassação de Renato Freitas num eventual processo disciplinar. O líder do governo, Pier Petruziello (PTB), é um dos que já declarou voto contra Renato. Já o vereador Eder Borges (PSD), disse que entraria com a representação.

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Cassação

Durante a sessão plenária desta segunda-feira (7), 15 vereadores da Câmara Municipal de Curitiba (CMC) declararam solidariedade aos católicos da capital do Paraná, após uma missa na Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos ser interrompida, no sábado (5), por pessoas que protestavam contra o racismo no Brasil. Entre os manifestantes, estava o vereador Renato Freitas (PT). Em nota oficial da Arquidiocese de Curitiba, lida em plenário pelo presidente da CMC, Tico Kuzma (Pros), Dom José Peruzzo lamentou o ocorrido, afirmando que “a posição da Arquidiocese de Curitiba é de repúdio ante a profanação injuriosa”.

A maior parte dos vereadores que se manifestou em plenário criticou Renato Freitas pela invasão da igreja, por verem no ato uma ameaça à liberdade de culto. Membros da bancada evangélica lembraram que o parlamentar já foi denunciado ao Conselho de Ética da CMC, após chamar pastores de “trambiqueiros”, e que o caso foi arquivado. Em geral, os parlamentares separaram a realização do protesto pelos assassinatos do congolês Moïse Kabagambe e de Durval Teófilo Filho, no Rio de Janeiro, que consideram legítimos, da invasão à Igreja do Rosário.

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“Foi escolhida [para a manifestação] a Igreja dos Pretos, construída pelos pretos e para os pretos, justamente porque na igreja central, na Matriz, os negros eram proibidos de entrar. Uma Igreja dos Pretos que, embora tenha esse nome, é cuidada pelos brancos. Lá estivemos às 18h e não atrapalhamos nenhuma missa. As filmagens mostram que a igreja estava absolutamente vazia. Entramos e dissemos que nenhum preceito religioso supera o amor e a valorização da vida. Lá dentro, afirmamos isso e saímos ordeira e pacificamente, e eu desafio a qualquer um provar o contrário”, defendeu-se, em plenário Renato Freitas.